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    Irã divulga documento final sobre a queda do avião em janeiro de 2020 em Teerã. Governos da Ucrânia e do Canadá, junto a relatora da ONU, julgam o veredito como insatisfatório e inconsistente.

    Nesta quarta-feira (17), após investigação de um ano, a Agência de Aviação Civil do Irã (CAOI, na sigla em inglês) divulgou seu relatório final sobre a queda do Boeing 737-800 ucraniano que matou 176 pessoas em 8 de janeiro de 2020, apontando falha humana como a causa da tragédia, de acordo com o The Times of Israel.

    O documento diz que um operador "identificou erroneamente" o avião como hostil, o caracterizando como um com um míssil de cruzeiro norte-americano, e disparou os mísseis (dois mísseis terra-ar) sem a autorização do comandante.

    "[A unidade de defesa aérea] falhou em ajustar a direção do sistema por erro humano, fazendo com que o operador observasse o alvo voando para oeste [do Aeroporto Imam Khomeini de Teerã] como um alvo se aproximando de Teerã a uma altitude relativamente baixa. As especificações do alvo foram anunciadas ao centro de comando, mas a mensagem nunca foi retransmitida. Sem receber um sinal verde ou resposta do centro de comando, [o operador] chegou a identificar o alvo como hostil e disparou os mísseis contra a aeronave e contra o procedimento planejado", diz o relatório citado pela BBC.

    Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, chamou a investigação iraniana de tendenciosa e as conclusões enganosas.

    "O documento não apresenta todas as circunstâncias, não revela as raízes da tragédia ou a cadeia de ações que a originou. Este não é um relatório, é um conjunto de manipulações cujo objetivo não é estabelecer a verdade, mas sim para encobrir a República Islâmica do Irã", disse o ministro citado pela mídia.

    A Ucrânia e quatro outros países cujos cidadãos ou residentes foram mortos - Canadá, Reino Unido, Afeganistão e Suécia - exigiram que o Irã fornecesse uma explicação completa sobre a tragédia após a divulgação da CAOI.

    Nove tripulantes ucranianos morreram, junto a 167 passageiros. O Canadá diz que 55 das vítimas eram cidadãos canadenses e 30 eram residentes permanentes, enquanto 53 outras estavam viajando para o país via Kiev naquele dia.

    Em uma declaração conjunta na quarta-feira (17) postada no Twitter, o ministro canadense das Relações Exteriores, Marc Garneau, e o ministro dos Transportes, Omar Alghabra, disseram que continuam "profundamente preocupados com a falta de informações e evidências convincentes".

    ​Informações importantes e evidências estão faltando na investigação de segurança final do Irã sobre a tragédia do voo PS752. O Canadá está profundamente empenhado em obter respostas para as vítimas.

    A relatora especial da ONU, Agnes Callamard, afirmou em um relatório separado que, embora não tenha encontrado nenhuma evidência concreta de que o alvo do voo PS752 foi intencional, as explicações fornecidas pelas autoridades iranianas "apresentam muitas inconsistências" e "não combinam", segundo a BBC.

    Na época, as defesas aéreas do Irã estavam em alerta máximo após ataque de drone dos EUA ter assassinado o major-general iraniano Qassem Soleimani em Bagdá cinco dias antes, ataque esse que Teerã retaliou com mísseis balísticos contra bases norte-americanas no Iraque.

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    Tags:
    avião, tragédia, Ucrânia, Irã
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