07:17 08 Março 2021
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    Com agenda para discutir questões relacionadas a trâmites de gás natural, mas pela singularidade da visita, especialistas acreditam que o governo do Egito tem segundas intenções ao mostrar presença em Israel.

    Neste domingo (21), o ministro do Petróleo do Egito, Tarek El Molla, fez uma visita a Israel, se encontrando com o ministro das Relações Exteriores israelense, Gabi Ashkenazi. Em tom amistoso, o encontro foi divulgado como tendo o objetivo de discutir sobre a cooperação energética entre os países, porém, a reunião também foi interpretada como uma mensagem para os EUA e a Turquia, de acordo com o The Times of Israel.

    Do encontro, ficou definido que o Cairo e Jerusalém vão ligar o campo de gás natural Leviathan israelense com instalações egípcias de gás natural liquefeito por meio de um gasoduto subaquático, o qual poderá ser exportado para os mercados europeus.

    Além dessa definição, especialistas indicam que um dos principais objetivos das reuniões também seja enviar uma mensagem à Turquia. Por quase uma década, Ancara está envolvida em uma rivalidade acirrada com o Cairo, que começou quando o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, apoiou a Irmandade Muçulmana após o grupo ser destituído do poder no Egito. No Mediterrâneo, o Egito alinhou-se com a Grécia e o Chipre, que acusam a Turquia de perfurar ilegalmente para obter gás natural em suas zonas econômicas exclusivas. 

    "Uma reunião entre Israel e Egito, mesmo que não seja o objetivo principal da visita, envia uma mensagem à Turquia, especialmente no contexto das outras reuniões que estão ocorrendo neste mês. Há uma mensagem clara de unidade, que esses parceiros [Israel, Egito, Grécia e Chipre] estão trabalhando juntos e de que eles têm seus objetivos diplomáticos em uma fileira [...]", disse Gabriel Mitchell, diretor de Relações Externas do Instituto Mitvim, um think tank com sede em Israel, citado pela mídia.

    Ao mesmo tempo, a aproximação Egito-Israel envia um aviso para outro país, os Estado Unidos, segundo a mídia. Em uma tentativa de prever uma maior pressão do governo dos EUA que possa intervir em relação a suas políticas de direitos humanos, o Egito se antecipa, se apresentando como um mediador de questões no Oriente Médio. Como por exemplo, uma semana antes de Joe Biden assumir o cargo, o Cairo recebeu os ministros das Relações Exteriores da Jordânia, França e Alemanha para discutir a retomada das negociações de paz entre israelenses e palestinos.

    "Os egípcios entendem bem a importância de expressões de normalização [como essa visita] para Israel. Portanto, a mensagem oculta é que o Egito está trabalhando com Israel e espera que o Estado israelense o ajude com os EUA. E uma mensagem para os EUA, que verão o Egito cooperando com Jerusalém", disse o historiador Moshe Albo, citado pela mídia.

    Mostrando essa unidade com países próximos e se apresentando como uma fonte de estabilidade e cooperação na região, na lógica egípcia, menos pressão enfrentará dos EUA sobre seu histórico de direitos humanos, diz a mídia.

    Mitchell acredita que as relações entre Israel e Egito estão visivelmente mais calorosas do que no passado. "A cooperação nunca foi tão diversa e nunca foi tão significativa em toda a história das relações bilaterais", argumentou o diretor.

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    Tags:
    diplomacia, gás natural, israel, Egito
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