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    Autoridades iranianas expressaram esperança sobre a promessa de campanha eleitoral de Joe Biden de levar os EUA de volta ao acordo nuclear. Mas o governo Biden ainda não se movimentou para retornar as negociações no âmbito do JCPOA.

    O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, expressou sua decepção com a incapacidade ou falta de vontade do presidente dos EUA, Joe Biden, em mudar a política do antigo inquilino da Casa Branca, Donald Trump, em relação ao Irã.

    "Já faz um mês que o governo Biden deu continuidade à política de ilegalidade e 'pressão máxima' de Trump, de superioridade e intimidação", afirmou o ministro, citado pelo portal PressTV na quarta-feira (17).

    Zarif acrescentou que, se a administração Biden acredita "que essa política falhou e fez os EUA perderem prestígio", então a continuação dessa abordagem "também não os ajudará e trará [para os EUA] o mesmo fracasso e desgraça".

    Na segunda-feira (15), O Irã notificou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que limitará suas inspeções, mas clarificou que nenhum inspetor será expulso de Teerã. O chanceler enfatizou na quarta-feira (17) que essa decisão seria revertida imediatamente se as sanções dos EUA contra o Irã fossem retiradas.

    Um representante da AIEA desliga uma conexão na instalação de enriquecimento de urânio a 20 % em Natanz, em janeiro de 2014
    © AFP 2021 / KAZEM GHANE/IRNA
    Um representante da AIEA desliga uma conexão na instalação de enriquecimento de urânio a 20 % em Natanz, em janeiro de 2014
    "Se eles [os EUA] pensam que podem criar uma alavanca para si mesmos sustentando sua política já derrotada, eles deveriam saber que também no Irã, alguns desdobramentos [como resposta] ocorrerão no terreno", concluiu Zarif, referindo-se às medidas nucleares recentes de Teerã, que poderiam escalar casos os EUA não voltem ao Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês).

    Imbróglio nuclear

    Em 2015 o Irã, China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos e União Europeia assinaram o JCPOA, estipulando o cancelamento das sanções internacionais aplicadas a Teerã em troca da redução do programa nuclear iraniano. O acordo foi consagrado na Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU.

    Em 2018, os EUA saíram unilateralmente do acordo nuclear, voltando a impor sanções ao Irã, às quais este último respondeu abandonando gradualmente seus próprios compromissos estipulados no acordo.

    Em 4 de janeiro de 2021, Teerã anunciou que aumentaria o enriquecimento de urânio para 20%, nível anterior à assinatura do JCPOA, que fixava o percentual máximo deste indicador em 3,67%.

    Presidente dos EUA, Joe Biden, durante reunião com líderes democratas na Casa Branca, Washington, EUA, 5 de fevereiro de 2021
    © REUTERS / Kevin Lamarque
    Presidente dos EUA, Joe Biden, durante reunião com líderes democratas na Casa Branca, Washington, EUA, 5 de fevereiro de 2021

    Autoridades iranianas, incluindo Zarif, expressaram esperança sobre a promessa de campanha eleitoral do democrata Joe Biden de levar os EUA de volta ao acordo nuclear. Mas, apesar de ter assumido o cargo em 20 de janeiro, o governo Biden não se apressou em retornar as negociações no âmbito do JCPOA.

    Em vez disso, Washington exigiu que Teerã reduzisse drasticamente as atividades de enriquecimento e armazenamento de urânio e retornasse totalmente às obrigações decorrentes do acordo. A República Islâmica rejeitou as exigências, dizendo que os EUA devem suspender as sanções, já que foi o lado dos EUA que revogou seus compromissos com o acordo nuclear em primeiro lugar.

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    Mohammad Javad Zarif, Donald Trump, Joe Biden, enriquecimento de urânio, urânio enriquecido, urânio, acordo nuclear, EUA, JCPOA, Irã
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