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    Situação mundial da COVID-19 no início de fevereiro de 2021 (80)
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    Os dados iniciais da campanha de vacinação contra o coronavírus em Israel mostram que o imunizante Pfizer/BioNTech protege contra casos graves, mas ainda não está claro se ele retarda a transmissão do vírus.

    Israel está realizando o que vem sendo descrito como a maior campanha de vacinação per capita do mundo contra a COVID-19, que está sendo observada de perto por especialistas.

    Enquanto muitos países ainda estão sofrendo para adquirir estoques de vacinas, Israel já obteve um progresso considerável desde que começou seu programa de imunização em dezembro de 2020.

    Até o momento, Israel já inoculou 35% de sua população de nove milhões de habitantes com a primeira das duas doses da vacina da Pfizer, e cerca de 1,8 milhão de pessoas já receberam as duas doses, a maioria delas idosos com mais de 60 anos.

    Israel conseguiu garantir um estoque substancial ao pagar um preço acima do valor de mercado e ao assinar um acordo para compartilhar dados com a Pfizer.

    De acordo com o documento, Israel, que possui um dos sistema de dados médicos mais sofisticados do mundo, compartilhará informação em tempo real com a Pfizer sobre os impactos da vacina, o que inclui o progresso para se atingir a chamada "imunidade de rebanho".

    Em entrevista à agência de notícias AFP, Ran Balicer, que preside o painel de especialistas em COVID-19 de Israel, disse que é crucial distinguir entre os dois impactos da vacina. O primeiro deles diz respeito ao "efeito direto", que "protege as pessoas imunizadas contra o desenvolvimento de sintomas da doença e de casos graves", enquanto o segundo é o "efeito indireto", que é quando a vacina fornece imunidade para uma quantidade suficiente de pessoas para gerar uma "barreira epidemiológica" contra a transmissão do novo coronavírus.

    Segundo Balicer, as informações reunidas até agora mostram que a vacina reduz a incidência de casos graves da doença. Contudo, em relação à transmissão, a questão permanece em aberto.

    Outro especialista ouvido pela AFP, Gabi Barbash, que trabalha para o Instituto de Ciência Weizmann, se posicionou de maneira semelhante a Balicer: "Sabemos que as vacinas estão reduzindo a incidência de casos graves da doença, [...] mas não sabemos se elas estão minimizando a transmissão", disse.

    Além disso, o Instituto de Pesquisa e Inovação Maccabi publicou um artigo esta semana descrevendo o que chamou de "o primeiro e mais abrangente estudo de fase IV sobre a efetividade da vacina" Pfizer/BioNTech, no qual comparou a incidência de COVID-19 nos 12 dias após a inoculação da primeira dose da vacina da Pfizer com a incidência em entre 13 e 24 dias após a aplicação. Segundo o Instituto Maccabi, a análise mostrou uma redução de 51% na incidência de infecções confirmadas em laboratório no período entre 13 e 24 dias após a aplicação.

    "Duas semanas após a primeira dose, você pode ver uma redução significativa na infecção, mas ela não é completa", disse Gabriel Chodick, coautor do estudo, à AFP.

    Além disso, o Instituto Maccabi divulgou dados preliminares sobre o impacto da segunda dose da vacina, que mostram que, das 248.000 pessoas avaliadas uma semana depois de receberem a segunda dose, apenas 66 casos moderados de COVID-19 foram registrados. Apesar de esses números indicarem uma proteção quase total, o Instituto Maccabi ressaltou que os dados ainda não foram submetidos a uma análise científica completa.

    Durante a campanha de vacinação, Israel continuou a registrar mais de cinco mil casos diários de COVID-19, apesar de o governo ter decretado um lockdown nacional que está em vigor desde 27 de dezembro. 

    "Se você olha para os números de novos casos positivos por dia de coronavírus, eles não diminuíram em mais de um mês e meio, então isso está acontecendo por não termos um lockdown de verdade, ou porque a vacina não está reduzindo a transmissão? Ainda não podemos dizer", comentou Gabi Barbash.
    Tema:
    Situação mundial da COVID-19 no início de fevereiro de 2021 (80)

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    Tags:
    COVID-19, pesquisa, Pfizer, vacina, Israel
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