02:32 09 Março 2021
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    Israel lançou licitação para construção de mais de 2.500 casas em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia horas antes de Joe Biden tomar posse como presidente dos EUA, informou um fiscalizador na quarta-feira (20).

    No domingo (17), Israel avançou no planejamento de construção de 780 casas assentadas na Cisjordânia antes das eleições gerais de março, nas quais o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, deverá enfrentar o candidato Gideon Saar, de acordo com o jornal The Times of Israel.

    A organização não governamental Paz Agora afirmou que o governo israelense lançou licitação para a construção de mais 2.112 casas na Cisjordânia e 460 residências em Jerusalém Oriental, justamente onde os palestinos esperam contar com capital de um futuro Estado.

    O fiscalizador da organização Paz Agora acusou o governo israelense de "corrida louca para promover o máximo possível de atividades de assentamento até o último minuto da mudança de governo em Washington".

    "Ao fazê-lo, Netanyahu está dando sinal ao novo presidente [norte-americano] que não tem intenção de criar um novo capítulo nas relações EUA-Israel [...], nem de pensar seriamente em como resolver, de forma plausível, nosso conflito com os palestinos", declarou a ONG Paz Agora em comunicado.

    Nabil Abu Rudeineh, porta-voz do presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, afirmou que a medida israelense era equivalente a uma "corrida para eliminar o que resta da solução de dois Estados, enquanto coloca cada vez mais obstáculos ao novo governo dos EUA".

    Manifestante palestino usa estilingue durante protestos contra a construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, 15 de janeiro de 2021
    © REUTERS / Mohamad Torokman
    Manifestante palestino usa estilingue durante protestos contra a construção de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, 15 de janeiro de 2021

    Todos os assentamentos judeus na Cisjordânia são considerados ilegais por grande parte da comunidade internacional. Atualmente, existem cerca de 650 mil judeus vivendo em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, onde vivem cerca de 3,1 milhões de palestinos.

    No final de 2019, o governo Trump declarou que Washington não considerava mais tais assentamentos uma violação do direito internacional. Contudo, Biden já indicou que seu governo restaurará a política pré-Trump de Washington, ou seja, voltará a se opor à expansão dos assentamentos. No entanto, na terça-feira (19), seu nomeado para secretário de Estado, Antony Blinken, disse que a nova administração não reverteria o reconhecimento de Trump de Jerusalém como capital de Israel.

    "A única maneira de garantir o futuro de Israel como um Estado judeu democrático e dar aos palestinos um Estado a que tenham direito é por meio da chamada solução de dois Estados", afirmou Blinken.

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    Tags:
    assentamentos, conflito, Oriente Médio, Palestina, Israel
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