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    O enviado iraniano para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Kazem Gharib Abadi, disse nesta sexta-feira (18) que não há necessidade de um novo acordo para reviver o tratado nuclear de 2015.

    A fala de Gharib Abadi foi uma resposta ao chefe da vigilância atômica das Nações Unidas, que insinuou a possibilidade de se chegar a um novo acordo com Teerã diante da eleição de Joe Biden nos EUA.

    Em uma série de mensagens postadas em uma rede social na sexta-feira (18), Kazem Gharib Abadi reiterou a posição do Irã sobre o acordo histórico de 2015, oficialmente conhecido como Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA). Segundo ele, o tratado não está sujeito a renegociação, apesar de um novo governo ter chegado ao poder em Washington.

    As informações foram confirmadas pela Press TV.

    Representantes da União Europeia, EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia, China e Irã durante as negociações sobre o acordo nuclear com o Irã, em Viena (foto de arquivo)
    © AFP 2020 / Joe Klamar
    Representantes da União Europeia, EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia, China e Irã durante as negociações sobre o acordo nuclear com o Irã, em Viena (foto de arquivo)
    "Não haveria renegociação e, em caso de sua retomada, não há necessidade de novo documento sobre o papel da Agência. Não é necessário complicar a situação", escreveu Gharib Abadi.

    O enviado iraniano também disse que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) foi encarregada apenas de monitorar e verificar as medidas voluntárias do Irã, e não fazer avaliações sobre como Teerã estava implementando seus compromissos.

    ​Como eu disse antes, a única função da AIEA é monitorar e verificar as medidas voluntárias relacionadas ao acordo nuclear, conforme detalhado no JCPOA, e fornecer atualizações factuais regulares a esse respeito. Apresentar qualquer avaliação sobre como os compromissos são implementados (por exemplo, referindo-se à violação)...

    ... Está absolutamente fora do mandato da agência e deve ser evitado. A AIEA desempenhou seu papel durante as negociações sobre o JCPOA. Os compromissos das partes foram cuidadosamente elaborados e acordados e cada lado sabe o que fazer para implementar o acordo.

    "Apresentar qualquer avaliação sobre como os compromissos são implementado [referindo-se a violação das normas] está absolutamente fora do mandato da Agência e deve ser evitado", concluiu.

    O Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA)

    O Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA) foi criado em 2015. Trata-se de um acordo internacional acerca do programa nuclear iraniano.

    Em junho de 2015, um conjunto de países aprovou, na cidade suíça de Lausanne, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), que regula o programa nuclear do Irã
    © AP Photo / Brendan Smialowski
    Em junho de 2015, um conjunto de países aprovou, na cidade suíça de Lausanne, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), que regula o programa nuclear do Irã
    O JCPOA impôs restrições abrangentes ao programa nuclear iraniano em troca da suspensão das sanções internacionais contra o Irã e permitiu que as instalações nucleares do país fossem inspecionadas pelo órgão de vigilância patrocinado pela ONU, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

    Ao deixar o tratado em 2018, Trump citou supostas violações cometidas pelo Irã como o motivo da retirada. O Irã negou essa acusação, enquanto vários relatórios da AIEA confirmaram que o país estava cumprindo o acordo. Ao deixarem as negociações, os EUA foram fortemente criticados pela União Europeia (UE), China e Rússia, todos signatários do acordo.

    Um ano depois, o Irã começou a aumentar seu estoque de urânio enriquecido e elevou o nível de enriquecimento além dos limites estabelecidos pelo JCPOA. Autoridades em Teerã disseram que isso pode ser revertido rapidamente se a UE convencer os EUA a voltar ao acordo nuclear ou encontrar maneiras de aliviar o ônus das sanções do Irã.

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    Tags:
    Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA), JCPOA, eua, acordo nuclear, Irã
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