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    Desde 2012 mais de 70 mulheres optaram por essa estratégia para conceber um filho. Em 2018, mais de 60 bebês nasceram de pais encarcerados em prisões israelenses.

    Autoridades israelenses proíbem visitas conjugais de palestinos presos por terrorismo. Para muitas esposas desses presidiários isso significa que elas nunca poderão ser mães, mas algumas estão contornando o problema. É o caso de Sanaa Salama, relatado no jornal Haaretz.

    Este ano tem sido especialmente difícil para israelenses e palestinos. Desde o início da pandemia de SARS-CoV-2 muitos perderam a vida e centenas de milhares perderam seus empregos. Mas para Sanaa, árabe israelense de Tira, no centro de Israel, este ano foi uma alegria absoluta porque ela finalmente se tornou mãe.

    Alcançar esse objetivo, no entanto, não foi fácil, uma vez que o seu marido, Walid Daqqa, está preso, cumprindo prisão perpétua em uma prisão israelense por envolvimento com terrorismo.

    Manifestante com a bandeira da Palestina
    © REUTERS / Mohamad Torokman
    Manifestante com a bandeira da Palestina

    Como tudo começou

    Daqqa foi capturado e preso em 1986, após confessar o sequestro e assassinato de um soldado israelense, Moshe Tamam, em 1984. Mas foi apenas 13 anos depois que ele conheceu e se casou com Sanaa, que na época era jornalista e escrevia sobre a vida de prisioneiros palestinos.

    "Casamos em 1999 e eu queria muito ter um filho dele", confessa Sanaa.

    O problema é que as autoridades prisionais de Israel não permitem visitas conjugais para pessoas julgadas por terrorismo, uma vez que acreditam que essas reuniões podem ser usadas por terroristas para contrabandear armas, dinheiro e até drogas.

    Foi esse contexto que levou Sanaa a concordar com a proposta de seu marido de usar um ardil que agora se tornou popular entre as esposas de prisioneiros palestinos: esperma contrabandeado.

    "Meu marido me surpreendeu quando me perguntou se eu estava pronta para ser mãe […]. Não hesitei e disse-lhe que o faria com todo o prazer", recorda.

    Na conservadora sociedade palestina, a gravidez de uma mulher cujo marido está ausente pode levantar suspeitas, mas Sanaa diz que isso não a incomodou porque sua família abraçou a ideia e jurou apoiá-la.

    "Minha família e a do meu marido aprovaram a decisão, principalmente porque todos perceberam que um filho seria o único elemento 'real' que poderia me ligar a ele."

    Longo caminho

    O processo de contrabando de esperma, porém, exigiu uma grande operação que Sanaa afirma não conhecer os detalhes nem as pessoas que ajudaram a transformar seu sonho em realidade.

    "Foi muito complicado. As cápsulas com o esperma do meu marido tiveram de ser contrabandeadas para fora da prisão e isso foi excepcionalmente difícil, dado que as autoridades prisionais verificam cada pequena coisa que entra e sai", comenta.

    Mas sua persistência valeu a pena e 13 semanas depois que Sanaa começou o processo, os médicos de uma clínica de fertilidade garantiram que ela tinha ficado grávida. Nove meses depois, ela deu à luz uma menina saudável, a quem chamou Milad.

    Sanaa está longe de ser a único palestina que recorreu a esse esquema. Desde 2012, quando ocorreram os primeiros casos, mais de 70 mulheres optaram por essa estratégia para conceber um rebento. Em 2018, mais de 60 bebês nasceram de pais encarcerados em prisões israelenses, afirma o jornal Haaretz.

    Apesar do processo longo e pouco natural, Sanaa diz que valeu a pena: "Ela é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. Ela me compensou pelo sentimento de privação que tive e me transformou em uma mulher feliz, que concebeu um filho do homem que ama. E isso também me dá esperança de que um dia nos encontraremos e viveremos juntos como uma família", conclui.

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    Tags:
    Israel, Palestina, gravidez, terrorismo, preso
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