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    O Departamento de Justiça dos EUA anunciou na sexta-feira (20) que Pollard havia concluído a última fase de sua liberdade condicional, liberando-o para imigrar para Israel.

    Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu celebrou neste sábado (21) o fim das restrições de viagem para Jonathan Pollard, ex-analista da Marinha dos EUA condenado por espionagem na década de 1980.

    Netanyahu afirmou esperar que Pollard se mude em breve para Israel, de acordo com informações da AP.

    Em um comunicado, Benjamin Netanyahu lembrou que por muitos anos trabalhou pela liberdade de Pollard. "O primeiro-ministro espera ver Jonathan Pollard em Israel em breve e, junto com todo o povo de Israel, envia seus melhores votos para ele e sua esposa Esther", afirma a nota.

     O presidente dos EUA, Donald Trump, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante coletiva de imprensa na Casa Branca para discutir o plano de paz para o Oriente Médio proposto por Trump.
    © REUTERS . Brendan Mcdermid
    O presidente dos EUA, Donald Trump, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante coletiva de imprensa na Casa Branca para discutir o plano de paz para o Oriente Médio proposto por Trump.
    O advogado de Pollard, Eliot Lauer, disse que Pollard "está muito feliz" por poder se mudar para Israel, mas avisou que vai demorar um pouco porque a esposa de Pollard está se submetendo a tratamento de câncer. A mudança provavelmente ocorrerá dentro de algumas semanas.

    O ex-espião

    Pollard foi um analista de inteligência da Marinha dos Estados Unidos que vendeu segredos militares a Israel enquanto trabalhava no Pentágono na década de 1980.

    Ele foi preso em 1985 após tentar sem sucesso obter asilo na Embaixada de Israel em Washington. O caso de espionagem afetou as relações entre Israel e EUA.

    Durante seu julgamento em 1986, ele se confessou culpado das acusações e foi condenado a prisão perpétua. Naquele tempo, os procuradores diziam que Pollard revelou segredos do Estado a agentes israelenses enquanto trabalhava como especialista de inteligência para a Marinha norte-americana entre 1984 e 1985.

    Pentágono (imagem referencial)
    © Foto / Pixabay / David Mark
    Pentágono (imagem referencial)
    Em 1984, ele começou a cooperar com a inteligência israelense, entregando pastas com documentos secretos norte-americanos. As pastas conteriam fotos de armamentos soviéticos e árabes e informação sobre capacidades das armas dos exércitos da região.

    Ele também vendeu o manual da Agência de Segurança Nacional norte-americana, que revela como os EUA coletam suas informações sobre transmissões. Ele também revelou nomes de milhares de pessoas que haviam atuado como informantes ou haviam cooperado com serviços secretos dos EUA, colocando as vidas destas pessoas em perigo.

    Pollard foi condenado à prisão perpétua. Porém, depois de passar 30 anos na prisão federal, ele foi libertado em 20 de novembro de 2015 em liberdade condicional. Na época, ele foi obrigado a permanecer nos Estados Unidos. 

    Moeda de troca

    Pollard foi usado como instrumento de negociação pelos presidentes americanos e suas administrações para fazer com que Israel concordasse em negociações de paz com a Palestina.

    O exemplo mais famoso desses episódios teve lugar em 1998, quando o então presidente Bill Clinton apresentou a possibilidade de libertação de Pollard como um ponto do acordo de paz que ele estava discutindo com Benjamin Netanyahu.

    Na época, porém, o então chefe da CIA George Tenet prometeu se demitir caso o acordo fosse concretizado. Deste modo, as conversações foram interrompidas.

    Em março de 2014, o secretário de Estado de Barack Obama, John Kerry, insinuou que ele poderia libertar Pollard se Israel cessasse sua política de expansão constante na Cisjordânia ocupada. Essa iniciativa também fracassou.

    Barack Obama, John Kerry e líderes de vários países árabes do golfo Pérsico durante encontro em Camp David em 14 de maio de 2015.
    © AP Photo / Pablo Martinez Monsivais
    Barack Obama, John Kerry e líderes de vários países árabes do golfo Pérsico durante encontro em Camp David em 14 de maio de 2015.

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    Tags:
    Benjamin Netanyahu, extradição, israel, eua, espionagem, Jonathan Pollard
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