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    A tentativa de Joe Biden de "renegociar" o acordo nuclear iraniano é inaceitável para Teerã, disse o chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, na véspera das eleições norte-americanas.

    Nenhum dos dois principais partidos dos EUA concordará em retornar Washington ao acordo nuclear iraniano sem modificações, afirmou o representante especial dos EUA para o Irã e Venezuela, Elliott Abrams.

    "Penso que não há nenhum desejo por parte dos Estados Unidos de simplesmente retornar ao [Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês)] sem mudanças ou modificações. Acho que esta é uma posição bipartidária dos EUA", disse Abrams, falando na quinta-feira (12) à agência Emirates News Agency dos Emirados Árabes Unidos.

    "Mesmo que você tenha gostado em 2015, não serve mesmo em 2021, e terá que haver mudanças, portanto, acho que não é algo que importe no dia um [de uma espera presidência de Joe Biden]. É uma negociação complicada e um tanto longa", acrescentou o funcionário da Trump, conhecido por coordenar a atual tentativa de combater o governo de Nicolás Maduro na Venezuela.

    Sugerindo que a campanha de pressão econômica dos EUA contra o Irã estava funcionando, Abrams observou que "se essa alavanca for usada, será possível conseguir que eles concordem em fazer coisas que não queiram fazer, ou seja, mudar seu comportamento na região, seu programa de mísseis e seu programa nuclear. Seria trágico descartar toda essa alavancagem sem a utilizar".

    Abrams também argumentou que um dos maiores lapsos do acordo nuclear iraniano foi sua suposta falha em lidar com o perigo representado pelo programa de mísseis convencionais do Irã, alegando que "nós os vemos nas mãos do Houthi [grupo militante no Iêmen] que os usou sob orientação e instruções iranianas para atingir a Arábia Saudita".

    Irã diz não à renegociação

    Nas últimas semanas, as autoridades iranianas afirmaram repetidamente que Teerã não estaria disposta a renegociar ou modificar de forma alguma o JCPOA, o qual Washington desistiu em 2018.

    Em declarações à mídia norte-americana antes das eleições de 3 de novembro, Mohammad Javad Zarif, ministro das Relações Exteriores do Irã, disse que o Irã e os EUA "podem encontrar uma maneira de se reengajar, obviamente. Mas o reengajamento não significa renegociação. Significa que os EUA voltam à mesa de negociações".

    Na segunda-feira (9), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, fez eco aos sentimentos de Zarif, dizendo que o JCPOA "não pode ser reaberto por ninguém", e acrescentando que o necessário acima de tudo era "uma mudança no pensamento e na mentalidade dos responsáveis pelas decisões dos EUA".

    Os EUA, disse ele, "infligiram danos materiais ao povo iraniano" e "devem ser responsabilizados por seu comportamento ilegal, anti-internacional e anti-iraniano".

    O Irã acumulou um grande arsenal de mísseis balísticos e de cruzeiro desenvolvidos domesticamente nos últimos anos, e tem resistido à pressão dos EUA e seus aliados europeus para limitar suas capacidades de mísseis, citando uma necessidade de ser capaz de se defender contra a agressão estrangeira na ausência de outro meio de dissuasão, e enfatizando seus direitos para fazê-lo sob o direito internacional.

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    Tags:
    Emirados Árabes Unidos, JCPOA, Venezuela, Irã, EUA
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