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    Yossi Cohen tem participado de encontros com chefes de Estado de outros países do Oriente Médio para normalizar as relações com Tel Aviv, e aludiu à possibilidade de a Arábia Saudita ser a próxima.

    A Arábia Saudita pode se juntar a seus vizinhos do golfo Pérsico na normalização das relações com Israel, indicou o diretor do serviço de inteligência Mossad, Yossi Cohen.

    Em uma entrevista ao Canal 12 israelense na quarta-feira (16), Cohen deu a entender que acredita que uma normalização entre Tel Aviv e Riad "poderia acontecer".

    Após ser questionado se havia se encontrado secretamente com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, como havia feito com outros líderes, o diretor do Mossad sorriu, respondendo que "gostaria de não comentar esse ponto".

    Cohen descreveu os Acordos de Abraão entre Israel, os Emirados Árabes Unidos (EAU) e Bahrein, que foram assinados em uma cerimônia formal em Washington na terça-feira (15), como "a quebra de um teto de vidro que existia em nossas relações com os Estados árabes".

    Os EAU e Bahrein se tornaram apenas o terceiro e quarto países árabes, e a primeira e segunda nações árabes na região do golfo Pérsico, a assinarem um acordo de paz com Israel desde a criação do país em 1948. Antes disso, o Egito assinou um acordo de paz facilitado pelos EUA com Tel Aviv em 1979, e a Jordânia assinou um tratado de paz com os israelenses em 1994.

    Cohen insinuou a participação de sua agência nas negociações clandestinas que precederam a normalização dos laços com Abu Dhabi e Manama, dizendo que a assinatura de um acordo de paz aconteceu após muitos anos de "contatos administrados de forma muito, muito delicada".

    Os chefes de Estado de Israel, Benjamin Netanyahu, dos EUA, Donald Trump, os chanceleres de Bahrein, Abdullatif Al Zayani, e dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed, acenam da varanda da Casa Branca, Washington, EUA, 15 de setembro de 2020
    © REUTERS / Tom Brenner
    Acordos de Abraão

    Yossi Cohen também apontou o papel da animosidade dos xeicados árabes em relação ao Irã para melhorar as perspectivas de estabelecimento de laços com Israel.

    "Você deve construir um sistema de confiança mútua entre nós e eles [...] Confiança, que estamos aqui para eles e eles estão aqui para nós, juntos contra todas estas ameaças", disse.

    Comentando a decisão dos EAU e Bahrein de melhorar as relações com Israel apesar dos desejos dos palestinos, que descreveram suas ações como uma "traição" semelhante a serem "facada nas costas", Cohen disse que sentiu "que tanto Bahrein quanto Abu Dhabi, os EAU em geral, escolheram seus interesses a longo prazo".

    Papel do agente do Mossad

    Cohen conversou secretamente com o primeiro-ministro de Bahrein, Khalifa bin Salman Al Khalifa, nas semanas anteriores ao anúncio do país de que se juntaria aos EAU para normalizar as relações com Tel Aviv. Em 1º de setembro, o portal Ynet anunciou que Yossi facilitou pessoalmente e participou de uma visita clandestina do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu aos EAU em 2018 para convencer o país a entrar no acordo de paz.

    No início deste ano, Cohen teria voado para o Egito e o Qatar, mais uma vez em segredo, e feito contato com a Arábia Saudita e outros Estados do Golfo, para discutir os planos israelenses de "aplicar a soberania" a grandes partes do território palestino na Cisjordânia. Essa medida foi adiada pelo menos temporariamente desde a assinatura dos Acordos de Abraão, embora Netanyahu tenha indicado que o adiamento não seria permanente.

    Acordos de Abraão

    Na terça-feira (15), Donald Trump disse esperar que Riad siga Abu Dhabi, Manama e vários outros países não mencionados na normalização das relações com Israel em um futuro próximo.

    "Temos muitos outros países que se juntarão a nós, e eles se juntarão a nós em breve", disse Trump, falando aos repórteres depois que os EAU e Bahrein normalizaram formalmente os laços com Israel.

    "Teremos sete, oito ou nove. Teremos muitos outros países se juntando a nós, inclusive os grandes", declarou Trump, acrescentando que havia falado com o rei da Arábia Saudita sobre o assunto.

    Na semana passada, o ministro saudita das Relações Exteriores, Adel al-Jubeir, indicou que Riad prevê o estabelecimento de um Estado palestino dentro das fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital, "de acordo com a legitimidade internacional e a Iniciativa Árabe de Paz" de 2002.

    Ao todo, 18 dos 22 membros da Liga Árabe, incluindo Argélia, Comores, Djibuti, Iraque, Kuwait, Líbano, Líbia, Mauritânia, Marrocos, Omã, Palestina, Qatar, Arábia Saudita, Somália, Sudão, Síria, Tunísia e Iêmen, continuam não tendo relações formais com Israel.

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    Tags:
    Palestina, Cisjordânia, Qatar, Benjamin Netanyahu, Ynetnews, Jordânia, Egito, Mohammed bin Salman, Yossi Cohen, Emirados Árabes, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Mossad, Israel
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