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    O Irã zombou do secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo depois que ele estabeleceu um prazo para "reimpor" as sanções sob o acordo nuclear, que ele classificou como um acerto "tolo", e apesar da recusa do Conselho de Segurança da ONU em apoiar a iniciativa dos EUA.

    "O tempo está passando apenas no universo alternativo paralelo de Pompeo!", exclamou Saeed Khatibzadeh, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã. "Isso acontece quando um ex-espião mestre lidera a diplomacia dos EUA", opinou ele, referindo-se à carreira anterior do secretário de Estado na CIA.

    Esta semana, o presidente do Conselho de Segurança da ONU, Dian Triansyah Djani, disse que o retorno das sanções é improvável, já que 13 dos 15 Estados membros lembraram que os EUA não têm legitimidade para fazê-lo, tendo saído do Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA). Em meados de agosto, a ONU também se recusou a apoiar a oferta de Washington de estender um embargo de armas ao Irã para além de sua expiração em outubro.

    A recusa embaraçosa não impediu Pompeo de anunciar um prazo de três semanas para o reajuste das sanções.

    "Se qualquer membro do Conselho de Segurança da ONU apresentar uma resolução para continuar com o alívio das sanções, os EUA se oporão a ela. Se nenhuma resolução for apresentada, as sanções ao Irã ainda retornarão em 20 de setembro", escreveu Pompeo no Twitter na quinta-feira (28).

    Em suas últimas publicações, Pompeo afirmou que os EUA têm o direito de acionar o retorno das sanções de acordo com a resolução 2231 do Conselho de Segurança. O documento nomeia formalmente Washington como participante do acordo de 2015, mas a relevância da cláusula é duvidosa, já que o governo Trump abandonou o acordo em 2018.

    Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo durante briefing à imprensa, na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, 20 de agosto de 2020
    © REUTERS / Mike Segar
    Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo durante briefing à imprensa, na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York, 20 de agosto de 2020

    Pompeo, que insiste que o mecanismo é legal sob o pacto, não parece ser um grande fã dele. Este mês, ele o rotulou de "unilateral" e "tolo" e disse que apenas consagrava o "comportamento maligno" do Irã.

    As sanções da ONU - que Washington quer reviver - foram postas em prática na década de 2010 para conter o programa nuclear do Irã. O levantamento dessas medidas representou um renascimento da atividade econômica no Irã, com o país se abrindo ao comércio internacional, aos investimentos e ao diálogo político.

    Após a retirada dos EUA, o Irã deixou de cumprir alguns de seus compromissos e começou a enriquecer urânio além das limitações do acordo.

    Simultaneamente, sinalizou a disposição de permanecer dentro do acordo, embora tenha entrado em conflito com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU em inspeções internacionais - até que um acordo foi alcançado para permitir o monitoramento de duas partes dentro do Irã, para conter material nuclear.

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    Tags:
    Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Donald Trump, Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA), acordo nuclear, diplomacia, embargo, sanções, Conselho de Segurança da ONU, CIA, Mike Pompeo, Estados Unidos, Irã
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