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    O Irã não tem certeza se a cúpula on-line proposta pelo presidente russo Vladimir Putin para acalmar as tensões crescentes em torno de Teerã e do embargo de armas da ONU terá algum efeito, graças à posição dos EUA e à esperada ausência do presidente Donald Trump.

    Putin propôs na semana passada uma reunião on-line com as presenças do Irã, da Alemanha e dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Acalmar as tensões em torno do Irã e tornar a região mais segura pode ser alcançado "se nossos países e os estados regionais combinarem sua vontade política e energia criativa", disse a declaração do Kremlin sobre o assunto.

    De acordo com Teerã, essa parte é a mais difícil de alcançar.

    "Entendemos as boas intenções do sr. Putin para reduzir as tensões. No entanto, de uma forma ou de outra, duvidamos que tal reunião seja eficaz na ausência de sinceridade por parte do governo norte-americano", afirmou o porta-voz do governo iraniano Ali Rabiei à Sputnik na terça-feira (18).

    "Provavelmente, o presidente dos EUA [Donald Trump] não se atreverá a participar da cúpula porque está convencido de que ficará isolado novamente", acrescentou.

    Anteriormente, quando questionado sobre se ele participaria da cúpula, Trump respondeu com um "provavelmente não". Ele também acrescentou que pretende avançar com o desencadeamento de um "retrocesso" de todas as sanções contra o Irã depois que a ONU não estender seu embargo de armas ao país.

    Derrota dos EUA na ONU

    A rixa latente entre os EUA e o Irã aumentou na semana passada, quando uma resolução patrocinada pelos EUA que teria estendido o embargo indefinidamente não passou na votação do Conselho de Segurança da ONU.

    Presidente russo Vladimir Putin (à esquerda) com o líder supremo do Irã aiatolá Ali Khamenei (à direita)
    © AP Photo / Office of the Iranian Supreme Leader via AP
    Presidente russo Vladimir Putin (à esquerda) com o líder supremo do Irã aiatolá Ali Khamenei (à direita)

    Ainda assim, o Irã não está descartando a ideia de uma convenção on-line. Rabiei disse que Teerã abordará a iniciativa "com total seriedade" assim que todas as partes receberem um convite oficial, e vai confirmar ou recusar sua participação no devido tempo.

    Uma reunião desse tipo "facilitaria o surgimento de mecanismos confiáveis ​​na região do golfo Pérsico para garantir a segurança e o fortalecimento da confiança", sugeriu a declaração do Kremlin.

    Se os líderes dos países envolvidos não chegarem a um acordo, "poderemos ver uma nova escalada de tensão e um aumento do risco de conflito" na já problemática região, alertou.

    O embargo de armas, que expira em outubro, foi acordado no âmbito de um acordo nuclear de 2015 entre o Irã e o chamado grupo P5 + 1, formado por membros permanentes do Conselho de Segurança - Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, além da Alemanha. Conhecido como Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA), o acordo teria impedido Teerã de desenvolver armas nucleares em troca de sanções.

    No entanto, a administração Trump saiu unilateralmente do acordo em 2018 e desde então impôs todas as sanções suspensas sob ele, bem como impôs outras adicionais.

    Em uma nova rodada de escalada, Washington confirmou que capturou mais de um milhão de barris de combustível originário do Irã a bordo de quatro navios-tanque com destino à Venezuela. Teerã respondeu revelando que os navios e suas cargas eram propriedade da Venezuela, não do Irã.

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    Tags:
    política, Conselho de Segurança da ONU, Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA), acordo nuclear, Donald Trump, Vladimir Putin, Irã, Estados Unidos, Rússia
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