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    Pesquisador norte-americano garante que explosões em Beirute foram o equivalente a 240 toneladas de TNT, ou seja, mais de 20 vezes mais potente do que a "mãe de todas as bombas".

    O incêndio e as explosões devastadoras que ocorreram na terça-feira (4) na região portuária de Beirute, capital do Líbano, produziram uma nuvem em forma de cogumelo semelhante à produzida por uma bomba nuclear. Vários especialistas explicaram por meio das redes sociais a que se deve esse fenômeno.

    Nuvens de fumaça se formam após explosões em Beirute. Foto é screenshot de vídeo de correspondente da Sputnik no local
    © Sputnik / Mikhail Alaeddin
    Nuvens de fumaça se formam após explosões em Beirute. Foto é screenshot de vídeo de correspondente da Sputnik no local
    O físico teórico e cientista de dados Jorge Díaz explicou em sua conta no Twitter que "'a nuvem de cogumelos' ocorre toda vez que uma grande quantidade de gás de baixa densidade é formada em baixa altitude". Díaz também menciona a nuvem Wilson, a esfera em expansão, que ocorre quando "a onda de choque produz a rápida condensação do ar úmido".

    Sob essas condições, "o gás menos denso sobe formando uma coluna ('caule') e o espaço que deixa para trás é ocupado por gases mais densos, empurrando os gases menos densos ainda mais […] à medida que os gases sobem, esfriam e se expandem, formando a cabeça do cogumelo", afirma Díaz.

    ​Não, a explosão em Beirute não foi uma explosão nuclear: a esfera em expansão é uma nuvem de Wilson: uma onda de choque que produz a rápida condensação do ar úmido; a "nuvem em cogumelo" ocorre toda vez que uma grande quantidade de gás de baixa densidade se forma a baixa altitude

    240 toneladas de TNT

    A explicação do especialista surge após rumores na Internet que apontavam para uma possível bomba nuclear como a causa da tragédia. Até o governador da capital libanesa, Marwan Abboud, considerou o incidente "um desastre semelhante aos atentados em Hiroshima e Nagasaki".

    Você consegue ver que a nuvem em forma de cogumelo se parece com a de Hiroshima. Governador de Beirute: o que aconteceu foi semelhante aos atentados em Hiroshima e Nagasaki

    No entanto, os comentários do governante referiram-se à magnitude da catástrofe, que até agora já matou mais de 100 pessoas, deixou mais de quatro mil feridos e 100 desaparecidos.

    Ainda assim, Viping Narang, professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA, especialista em proliferação e estratégia nuclear, explica que as explosões de Beirute foram equivalentes a 240 toneladas de trinitrotolueno (TNT).

    A "mãe de todas as bombas" (MOAB, na sigla em inglês) contém aproximadamente 11 toneladas de TNT, de forma que as explosões em Beirute foram 20 vezes mais potentes do que a MOAB.

    Por fim, Martin Pfeiffer, pesquisador da história das armas nucleares e doutorando na Universidade do Novo México, acrescenta que o incidente no Líbano não pode ter sido uma explosão nuclear porque nas explosões nucleares deve ocorrer, entre outras coisas, "um clarão branco ofuscante". Além disso, "o calor de uma explosão nuclear excede o produto químico, fazendo a nuvem subir mais rapidamente", conclui.

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    Tags:
    gás, MOAB, Líbano, Beirute
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