14:38 14 Agosto 2020
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    Israel deve enfrentar consequências se anexar terras na Cisjordânia ocupada, declarou o primeiro-ministro palestino Mohammad Shtayyeh nesta terça-feira (9), apontando possíveis sanções europeias.

    O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu prometeu estender a soberania aos assentamentos judeus e ao Vale do Jordão, na Cisjordânia, território que Israel conquistou na guerra do Oriente Médio em 1967 e que os palestinos buscam para um futuro Estado.

    O novo governo de Netanyahu deve começar a discutir a anexação de fato em 1º de julho, mas não está claro se o principal aliado de Israel, os Estados Unidos, deve dar o sinal verde.

    Os palestinos rejeitaram o plano de paz do presidente dos EUA, Donald Trump, anunciado em janeiro, sob o qual a maioria dos assentamentos que Israel construiu seria incorporada ao "território israelense contíguo".

    Em uma entrevista coletiva, Shtayyeh afirmou que a anexação acabaria com qualquer possibilidade de paz com Israel e corroeria "o consenso palestino, regional e internacional" em uma solução de dois Estados. Ele disse que Israel agora deve "sentir o calor da pressão internacional".

    Shtayyeh destacou que os Estados europeus estão debatendo "sanções a Israel e congelando acordos de associação, bem como cancelando alguns programas de pesquisa" e "reconhecendo a Palestina" como um Estado na Cisjordânia e Gaza.

     Palestinos discutem com tropas israelenses durante protesto que marca o 72º aniversário de Nakba e contra o plano israelense de anexar partes da Cisjordânia ocupada. Povoado de Sawiya, perto de Nablus, em 15 de maio de 2020
    © REUTERS / Mohamad Torokman
    Palestinos discutem com tropas israelenses durante protesto que marca o 72º aniversário de Nakba e contra o plano israelense de anexar partes da Cisjordânia ocupada. Povoado de Sawiya, perto de Nablus, em 15 de maio de 2020

    Contestação inevitável

    A maioria dos países vê os assentamentos de Israel em terras ocupadas como ilegais. Israel contesta isso. Os palestinos agora exercem um autogoverno limitado em partes da Cisjordânia, enquanto o grupo islâmico palestino Hamas domina a pequena Gaza.

    Mas Shtayyeh explicou que a tomada de decisões por consenso da União Europeia (UE), de 27 países, é "um pouco complicada", e um ou dois países não estão alinhados com os outros sobre o assunto.

    Um porta-voz da UE em Jerusalém se recusou a comentar as palavras de Shtayyeh, mas apontou para uma declaração anterior do chefe de Política Externa da UE, Josep Borrell, que afirmava que a anexação "se implementada não poderia passar sem contestação".

    Shtayyeh disse que os palestinos apresentaram uma contraproposta de quatro páginas e meia ao plano de Trump ao mediador do Quarteto do Oriente Médio - Estados Unidos, Rússia, União Europeia e Nações Unidas.

    A proposta incluía um Estado palestino desmilitarizado com "pequenas modificações nas fronteiras sempre que necessário" e trocas de terras iguais "em tamanho, volume e valor - um a um", acrescentou Shtayyeh.

    Os palestinos declararam nulos os acordos com Israel em protesto contra a anexação. Shtayyeh afirmou que a rejeição de seu governo aos impostos cobrados por Israel em seu nome significa que os salários não serão pagos a cerca de 130 mil funcionários públicos.

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    Tags:
    União Europeia, Josep Borrell, Europa, ocupação, anexação, Donald Trump, Benjamin Netanyahu, Cisjordânia, Israel, Palestina
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