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    Após publicação pela mídia de trechos de novo relatório da AIEA sobre enriquecimento de urânio pelo Irã, Netanyahu pediu à comunidade internacional que impusesse sanções contra Teerã.

    Em 5 de junho, um relatório confidencial da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) indicou que o Irã continua acumulando estoques de urânio enriquecido para além dos limites estabelecidos no acordo nuclear apelidado de Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês).

    O premiê israelense pediu à comunidade internacional que se junte aos EUA para aplicar sanções "paralisantes" ao Irã pela suposta violação de suas obrigações estabelecidas pelo JCPOA.

    "Durante o fim de semana, a AIEA divulgou que o Irã recusou acesso de inspetores da AIEA a locais clandestinos onde o Irã tem realizado atividade nuclear militar secreta. O Irã violou sistematicamente seus compromissos ao esconder locais e enriquecer material físsil, bem como cometendo outras violações", declarou Netanyahu, durante reunião de gabinete no domingo (7).

    "Acredito que chegou a hora, […] à luz destas revelações, da comunidade internacional se unir aos Estados Unidos e reimpor sanções paralisantes ao Irã", acrescentou o premiê.

    Netanyahu destacou que Israel "não permitirá" que Teerã obtenha armas nucleares, e que "continuaria agindo metodicamente contra as tentativas do Irã de estabelecer uma presença militar em nossas fronteiras".

    Reator de água nuclear de Arak, ao sul da capital Teerã, durante uma visita do chefe da organização Ali Akbar Salehi, foto divulgada em 23 de dezembro de 2019
    © AFP 2020 / Organização de Energia Atômica do Irã / Handout
    Reator de água nuclear de Arak, ao sul da capital Teerã, durante uma visita do chefe da organização Ali Akbar Salehi, foto divulgada em 23 de dezembro de 2019

    Vale recordar que os países P5+1 (Rússia, Estados Unidos, França, China, Reino Unido e Alemanha), bem como o Irã, acordaram os termos do JCPOA em 2015. O acordo previa o cancelamento condicional de sanções contra o Irã em troca de uma limitação de seu programa nuclear.

    O Irã abandonou as restrições do acordo em maio de 2019, um ano depois que os EUA se retiraram unilateralmente e aplicaram a Teerã duras sanções energéticas e bancárias, incluindo sanções secundárias contra empresas estrangeiras que fizessem negócios com a República Islâmica.

    Estoque inferior a 2013

    Os comentários de Netanyahu foram proferidos em seguimento ao relatório da AEIA dando conta que o Irã continua aumentando seu estoque de urânio enriquecido, registrando 1.571,6 quilos de combustível nuclear em 20 de maio, contra 1.020,9 quilos em 19 de fevereiro. Os níveis de enriquecimento teriam aumentado para 4,5%, acima do limite acordado de 3,67%.

    De acordo com o relatório, Teerã também recusou o acesso de inspetores da AIEA a duas instalações nucleares.

    Irã sustenta não ter intenção de produzir armas nucleares, ou armas de destruição em massa de qualquer tipo, defendendo que seu programa atômico tem como objetivo estritamente a produção de energia nuclear.

    Nível de enriquecimento atingido não permite ogivas

    No momento, os níveis de enriquecimento de urânio do país, conforme relatado pela AIEA, permanecem muito abaixo dos níveis de pureza necessários para construir uma bomba nuclear. A bomba nuclear que os EUA lançaram sobre Hiroshima em agosto de 1945, por exemplo, tinha um nível de enriquecimento de cerca de 80%.

    Os estoques de urânio do Irã também estão muito abaixo dos sete mil quilos estimados que o país tinha em 2013, antes da assinatura do JCPOA. Naquela época, os níveis de enriquecimento atingiram 20% de pureza.

    Tel Aviv e Teerã têm trocado acusações, com os israelenses denunciando os propósitos do Irã de tentar construir uma arma nuclear para atingir Israel, enquanto iranianos têm salientado que Israel é a única nação do Oriente Médio com um arsenal nuclear real.

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    Tags:
    acordo nuclear, Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA), JCPOA, Israel, Benjamin Netanyahu, Irã
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