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    O Exército norte-americano teria recebido uma diretiva para poder conduzir ataques contra "forças paramilitares apoiadas pelo Irã" em meio à pandemia do coronavírus.

    O Pentágono ordenou aos comandantes militares que planejassem uma escalada dos recursos de combate americanos no Iraque, informou The New York Times na sexta-feira (27), citando altos responsáveis anônimos que afirmam estar familiarizados com a diretiva.

    De acordo com o relato, na semana passada o Departamento de Defesa dos EUA emitiu uma diretiva secreta para "preparar uma campanha para destruir um grupo de milícias apoiado pelo Irã que ameaçou com mais ataques contra as tropas americanas".

    Hezbollah e "forças paramilitares iranianas, membros do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC)", seriam possíveis alvos da escalada planejada, diz a fonte.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, ao tomar conhecimento da iniciativa durante uma reunião na Sala Oval, em 19 de março, não teria dado imediatamente luz verde à campanha, mas permitiu que o planejamento continuasse.

    Críticas à diretiva

    O comandante máximo dos Estados Unidos no Iraque, tenente-general Robert P. White, expressou dúvidas quanto à viabilidade dos planos do Pentágono, de acordo com The New York Times.

    White respondeu à diretiva com uma mensagem interna sugerindo que tais operações poderiam ser "sangrentas e contraproducentes" e ameaçar uma guerra com o Irã.

    O comandante de topo também observou que uma nova campanha exigiria o envio de milhares de soldados dos EUA adicionais para o Iraque, desviando recursos da missão principal de treinar o Exército iraquiano para combater o Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países), diz a notícia do diário.

    O memorando do general também destacou que tais campanhas quebrariam o acordo existente com o governo iraquiano que permite que as tropas americanas permaneçam no país.

    Soldados dos EUA durante a entrega da base aérea de Al-Qayyara às Forças de Segurança Iraquianas, no sul de Mossul, Iraque, 26 de março de 2020
    © REUTERS / Thaier Al-Sudani
    Soldados dos EUA entregam base aérea de Al-Qayyara às Forças de Segurança Iraquianas

    Responsáveis anônimos estadunidenses caracterizaram em um relatório a tentativa urgente de criar um plano de ataque contra grupos de milícias pró-iranianas como uma forma de impedir o que dizem ser novos ataques do Hezbollah e outras milícias xiitas contra as tropas americanas.

    O próprio grupo teria alegadamente advertido seus combatentes para se prepararem para possíveis ataques dos EUA e ameaçou retaliar.

    As comunicações internas do Exército citadas pelo NYT vêm em meio a preocupações crescentes sobre a pandemia do coronavírus, durante a qual o Exército dos EUA suspenderá os treinamentos militares para conter a propagação da doença.

    A situação atual

    Globalmente, o número de casos confirmados de COVID-19 ultrapassa os 600.000, com mais de 28.000 mortes, de acordo com os dados mais recentes. Os Estados Unidos têm o maior número de infecções do mundo, com mais de 100.000.

    A tensão no Iraque envolvendo os EUA aumentou após o assassinato do general de topo do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, Qassem Soleimani, e de Abu Mahdi al-Muhandis, fundador do Hezbollah, em uma operação sancionada por Trump no início de janeiro.

    Desde então, as instalações no Iraque que recebem tropas da coalizão liderada pelos EUA têm sido repetidamente atacadas. O Pentágono culpa disso o Hezbollah.

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    Tags:
    The New York Times, Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, Donald Trump, Kataib Hezbollah, Irã, Iraque, EUA
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