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    Devido à rápida propagação do coronavírus em Israel, a liderança palestina anunciou que a Palestina e Israel unirão forças para enfrentar a pandemia, tendo sido criada um gabinete de crise conjunto.

    Ao mesmo tempo, a Palestina espera que esta comunhão de esforços contra a pandemia possa levar Israel a desistir do "Acordo do Século".

    Mas que medidas conjuntas estão sendo tomadas por ambos contra a propagação do vírus? Israel pode realmente desistir do plano de Trump, e o que a Palestina deve fazer a respeito disso?

    Especialistas e políticos palestinos falaram sobre estes assuntos à Sputnik Árabe.

    Formato da cooperaçãohttps://iz.ru

    Usama Shaat, cientista político palestino e professor na Universidade Al-Quds em Jerusalém, afirma que a coordenação entre Israel e a liderança palestina se limita somente às tentativas de contenção do coronavírus.

    "A coordenação tem lugar somente na Cisjordânia, em Jerusalém e na Faixa de Gaza", sendo que nos demais territórios ocupados Israel lidará com o problema sozinho, afirmou o cientista.

    Acerca da cooperação, o especialista relembrou haver "cerca de 6.000 prisioneiros nas prisões israelenses e cerca de 40.000 palestinos trabalhando em Israel. E Israel é responsável por suas vidas, segurança social e seguros de saúde".

    "Muitos palestinos que estavam em Israel puderam retornar às suas casas na Cisjordânia. Ou seja, existe uma coordenação com Israel nesta matéria, baseada principalmente na responsabilidade de Israel de proteger a saúde dessas pessoas", acrescentou Shaat.

    Manifestantes palestinos discutem com forças israelenses durante protesto na Cisjordânia, em 28 de fevereiro de 2020
    © REUTERS / Mussa Qawasma
    Manifestantes palestinos discutem com forças israelenses durante protesto na Cisjordânia, em 28 de fevereiro de 2020

    Contudo, na opinião dele, isto não tem nada a ver com o futuro das relações israelo-palestinas.

    Coordenação de emergência

    Por sua vez, Eyad Nasr, membro do Conselho Revolucionário da Fatah, também opina que a coordenação palestino-israelense motivada pelo coronavírus é uma medida forçada e temporária.

    "A cooperação atual com Israel contra a propagação do vírus é uma medida de emergência e temporária. Ela só existe para impedir a propagação do vírus: nem mais, nem menos", afirmou peremptoriamente o político palestino.

    "A coordenação não deve ir além da luta contra a epidemia. Salvar vidas não tem nada que ver com o processo político, especialmente sob o governo de Benjamin Netanyahu", precisou Eyad Nasr.

    Questionado sobre a possibilidade de a cooperação palestino-israelense contra a epidemia poder conduzir a um cancelamento do "Acordo do Século", o político palestiniano foi claro:

    "Se Netanyahu permanecer no poder – então não, pois ele é o principal beneficiário do 'acordo'. Assim sendo, as chances de um tal desenlace são extremamente reduzidas."

    Como tudo começou

    Anteriormente, a agência oficial palestina Wafa informou que o porta-voz da Autoridade Palestina, Ibrahim Melhem, anunciara a criação de um gabinete de crise conjunto com os israelenses para combater a pandemia do coronavírus.

    Mais tarde, em 25 de março, o embaixador extraordinário e plenipotenciário do Estado da Palestina na Rússia, Abel Hafiz Nofal, afirmou em uma entrevista ao jornal Izvestia que a Palestina espera que Israel e os EUA desistam do "Acordo do Século" por força do coronavírus.

    Segundo o diplomata, a ameaça comum ajudou a unir os esforços das duas forças políticas palestinas – Fatah e Hamas, apaziguando temporariamente as relações entre os árabes e Israel.

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    Tags:
    COVID-19, Faixa de Gaza, Benjamin Netanyahu, Cisjordânia, Palestina, Israel, novo coronavírus
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