03:56 24 Fevereiro 2020
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    "Não vai demorar muito" para que Israel anexe assentamentos construídos na Palestina, afirmou o primeiro-ministro israelense. Netanyahu, que é alvo de processos de corrupção, enfrentará novas eleições gerais no dia 2 de março.

    Israel está definindo quais territórios irá anexar na Cisjordânia, de acordo com o plano de Trump para a região, declarou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, neste domingo (9). Os assentamentos se encontram em terras que deveriam pertencer ao Estado da Palestina, de acordo com Resolução 181 da ONU, aprovada em 1947.

    "Já estamos avançando no processo de mapeamento da área que, de acordo com o plano de Trump, se tornará parte do Estado de Israel. Não vai demorar muito", afirmou Netanyahu em discurso de campanha.

    Netanyahu disse que as áreas a serem anexadas irão incluir assentamentos no Vale do Jordão, área que Israel ocupa desde a Guerra dos Seis Dias, travada em 1967.

    A grande maioria dos países do mundo considera a construção de assentamentos israelenses em terras ocupadas como uma violação do direito internacional. Essa posição era partilhada pelos EUA, mas foi modificada pela administração Trump.

    Manifestante palestino discute com soldado israelense durante protesto contra o plano de Trump, em 29 de janeiro de 2020
    © REUTERS / Raneen Sawafta
    Manifestante palestino discute com soldado israelense durante protesto contra o plano de Trump, em 29 de janeiro de 2020

    Líderes palestinos acreditam que a anexação dos assentamentos irá inviabilizar o futuro Estado Palestino.

    "O único mapa da Palestina que aceitamos é o mapa do Estado Palestino com as fronteiras de 1967 e com Jerusalém como sua capital", disse Nabil Abu Rdainah, porta-voz do presidente palestino, Mahmoud Abbas.

    Eleições em Israel

    No dia 2 de março, Israel deve enfrentar a sua terceira eleição geral em menos de um ano. Netanyahu, que enfrenta processos judiciais por corrupção, tenta obter a maioria no parlamento israelense, o Knesset.

    Atualmente, Netanyahu é primeiro-ministro interino de Israel, uma vez que o parlamento não foi capaz de formar um governo após as últimas eleições, em setembro de 2019.

    Não está claro se o governo interino de Netanyahu tem autoridade para anexar novos territórios, reportou a Reuters.

    Primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chefia sessão de votação no parlamento israelense, o Knesset, em Jerusalém (foto de arquivo)
    © AP Photo / Sebastian Scheiner
    Primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chefia sessão de votação no parlamento israelense, o Knesset, em Jerusalém (foto de arquivo)

    Em sua corrida por um quinto mandato, Netanyahu busca garantir os votos da extrema-direita israelense, que se baseia em textos bíblicos para defender o direito de Israel sobre a Cisjordânia.

    Essa não é a primeira vez que Netanyahu promete uma rápida anexação dos assentamentos na Cisjordânia. Logo após a apresentação do Plano Trump, em 28 de janeiro, o primeiro-ministro interino prometeu a anexação das terras até o fim daquela semana.

    No entanto, a administração Trump teria pressionado o governo israelense a aguardar as eleições gerais de 2 de março antes de proceder com anexações territoriais.

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    Tags:
    anexação, EUA, Palestina, israel
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