13:59 15 Agosto 2020
Ouvir Rádio
    Oriente Médio e África
    URL curta
    8410
    Nos siga no

    As declarações vêm depois que o premiê israelense afirmou que o "Acordo do Século" de Trump seria implementado já a partir do último domingo (2).

    O premiê israelense Benjamin Netanyahu anunciou que pedirá ao governo que dê luz verde à extensão da soberania sobre o território da Cisjordânia somente quando vencer as eleições de 2 de março.

    Usando termos bíblicos para a Cisjordânia, Netanyahu disse durante um evento de campanha em Beit Shemesh na terça-feira (4) que "assim que ganharmos, vamos aplicar a lei israelense a todas as comunidades judaicas no Vale do Jordão, na Judeia e Samaria".

    "Nós, o Likud [partido de Netanyahu], não vamos deixar escapar esta grande oportunidade. Mas para garantir isso, para garantir as fronteiras de Israel, para garantir o futuro de Israel, eu preciso que cada membro do Likud desta vez saia para votar e faça os outros votar. Desta vez, vamos tirar todos de casa, não vamos deixar ninguém para trás", sublinhou ele.

    Declarações de Netanyahu

    Os comentários aparentemente vão contra a promessa anterior de Netanyahu de começar a estender a soberania sobre o território imediatamente após a publicação do plano de paz do presidente norte-americano, Donald Trump, no Oriente Médio, em 28 de janeiro.

    Após o encontro com Trump e a revelação do chamado "Acordo do Século", Netanyahu disse aos repórteres que Israel poderia avançar e estender a soberania israelense sobre os assentamentos logo em 2 de fevereiro.

    A ideia, entretanto, foi contrariada pelo genro e conselheiro sênior de Trump, Jared Kushner, que disse que os EUA tinham esperança de que Israel "esperasse até depois das eleições" em março para aplicar a lei israelense às partes da Cisjordânia que possuem assentamentos israelenses.

    "A esperança é que eles esperem até depois das eleições, e nós trabalharemos com eles para tentar encontrar algo", disse Kushner.

    O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos EUA, Donald Trump, conversam como o conselheiro sênior da Casa Branca, Jared Kushner.
    © REUTERS / Kobi Gideon/Fornecida pela assessoria de imprensa do governo
    O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos EUA, Donald Trump, conversam como o conselheiro sênior da Casa Branca, Jared Kushner.

    Ele acrescentou que os dois países precisariam de "alguns meses" para criar um documento "com o qual nós dois possamos nos sentir bem". De acordo com o conselheiro de Trump, "precisaríamos de um governo israelense" antes de avançar com a extensão da soberania sobre os territórios.

    Seus comentários pareciam contradizer os expressos pelo presidente do Knesset (parlamento de Israel), Yuli-Yoel Edelstein, que prometeu na semana passada "acelerar" qualquer proposta de votação sobre o assunto.

    Plano de paz de Trump

    O plano que Trump para o Oriente Médio estipula uma solução de dois Estados, o reconhecimento das reivindicações israelenses sobre os assentamentos na Cisjordânia, o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, e a cedência de vários bairros em Jerusalém Oriental para uma capital palestina.

    O plano foi imediatamente rejeitado pelo presidente palestino Mahmoud Abbas, que disse que Jerusalém não estava "à venda", e que o acordo seria jogado na "lata de lixo da história" pelos palestinos.

    Kushner criticou as declarações, dizendo que "se eles não [aceitarem o acordo], eles vão estragar outra oportunidade, como eles estragaram todas as outras oportunidades que já tiveram em sua existência".

    Mais:

    Kremlin: 'Acordo do Século' dos EUA para Israel e Palestina contradiz várias resoluções da ONU
    Arábia Saudita impede Irã de participar de reunião sobre 'plano de paz' de Donald Trump
    Organização da Cooperação Islâmica rejeita o plano de paz de Trump para o Oriente Médio
    Israel critica UE por rejeitar plano de paz de Trump para Oriente Médio
    Tags:
    Oriente Médio, Yuli Edelstein, Jared Kushner, Donald Trump, Benjamin Netanyahu, Cisjordânia, Israel
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar