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    EUA interrompem programa secreto de drones secreto com Ancara após Turquia invadir a Síria. O programa coletava informações sobre atividades do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

    Washington interrompeu um programa conjunto entre os EUA e Turquia após Ancara invadir o Nordeste da Síria, em outubro de 2019, informou um membro do governo dos EUA à Reuters.

    As fontes disseram que o cancelamento do programa de drones espiões está diretamente ligado à chamada operação Fonte de Paz conduzida pela Turquia na Síria.

    Quatro membros do governo dos EUA, que pediram anonimato, confirmaram a informação obtida pela agência de notícias.

    No âmbito do programa conjunto, os Estados Unidos realizavam voos com drones espiões para coletar informações sobre o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado terrorista por Ancara.

    Curdos com bandeiras do PKK em Istambul, Turquia
    © AP Photo / Ibrahim Usta
    Curdos com bandeiras do PKK em Istambul, Turquia

    As informações eram posteriormente compartilhadas com o governo turco. Os voos teriam tido início em 2007 e partiam da base aérea de Incirlik, no sul da Turquia.

    Uma das fontes apontou que o fim do programa conjunto de espionagem tornaria a "campanha anti-PKK muito mais difícil e cara para a Turquia".

    Um representante oficial da Turquia, cujo nome não foi indicado, confirmou o cancelamento do programa.

    "Nos últimos anos, a Turquia não tem tido dificuldades em coletar as informações que precisa com drones de produção própria", garantiu a fonte. "Mas, considerando se tratar de um aliado, essa medida não contribuiu para a manutenção dos laços entre os dois países."

    O Departamento de Estado dos EUA, equivalente ao Itamaraty brasileiro, preferiu não comentar as informações.

    O Departamento de Defesa, por sua vez, confirmou que os EUA têm apoiado a Turquia "de diversas formas e por muitas décadas" contra o PKK, mas declinou comentar os detalhes de "questões operacionais".

    Kurdish YPG Fighters
    Membros da milícia curda Unidades de Proteção Popular (YPG)

    Em outubro de 2019, a Turquia lançou uma operação no norte da Síria, atacando posições das forças curdas, apoiadas por Washington. Ancara alega que as forças curdas sírias YPG (Unidades de Proteção do Povo Curdo) fornecem apoio a grupos separatistas curdos na Turquia, liderados pelo PKK.

    Tanto a Turquia como os EUA consideram o PKK uma organização terrorista. No entanto, ao contrário dos EUA, Ancara também designa o movimento curdo sírio YPG, como terrorista, acusando o grupo de manter vínculos com o PKK.

    Washington não compartilha a posição de Ancara em relação ao YPG, que teria sido fundamental na luta dos EUA contra o Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países). Washington teria ajudado o movimento a obter financiamento através do contrabando de petróleo sírio.

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