20:29 07 Abril 2020
Ouvir Rádio
    Oriente Médio e África
    URL curta
    517
    Nos siga no

    O Exército de Israel enviou reforços para a ocupada Cisjordânia nesta terça-feira (28), horas antes da administração Trump divulgar o seu plano de paz para o Oriente Médio. Trump deve anunciar plano às 14h do horário de Brasília.

    Os palestinos rechaçaram o plano, que deve ser favorável a Israel e abrir caminho para a anexação de diversos territórios na Cisjordânia.

    As expectativas são de que o presidente Donald Trump anuncie detalhes do plano nesta terça-feira (28), às 14h no horário de Brasília.

    Na segunda-feira (27), palestinos convocaram protestos e não está excluída a possibilidade de confronto com tropas de Israel.

    Durante a mais recente campanha eleitoral, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu anexar partes do território ocupado do Vale do Jordão, equivalentes a um quarto da Cisjordânia.

    Israel ocupa a região desde a guerra de 1967. De acordo com a Resolução da ONU que criou o Estado de Israel, em 1948, a Cisjordânia seria parte do Estado da Palestina.

    Preparativos em Washington

    O presidente dos EUA, Donald Trump, irá revelar os detalhes de seu "acordo do século" na Casa Branca, onde recebe o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e seu rival político, Benny Ganz.

    Presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, conversam na Casa Branca, em 27 de janeiro de 2020
    © REUTERS / Kevin Lamarque
    Presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, conversam na Casa Branca, em 27 de janeiro de 2020

    As autoridades palestinas, que rejeitaram o plano ainda antes da fase de publicação, não foram convidadas para ir a Washington.

    "Eles [os palestinos] provavelmente não vão querer [apoiar o plano] inicialmente", afirmou Trump. "Mas no fim eles vão [...] é muito bom para eles. Na verdade, é bom até demais para eles."

    Netanyahu declarou que os líderes têm a possibilidade de "fazer história" e definir as fronteiras finais de Israel. O primeiro-ministro israelense convidou líderes de vários assentamentos nos territórios ocupados para acompanhá-lo a Washington.

    Reação na Palestina

    Os palestinos rejeitaram o "acordo do século" desde seus primeiros estágios de elaboração, por não considerarem a administração Trump um intermediário imparcial para o conflito.

    Desde o início de seu mandato, Trump reconheceu Jerusalém como a capital de Israel, modificando a posição tradicional dos EUA e reinterpretando diversas resoluções da ONU.

     A primeira-dama dos EUA, Melania Trump, perto do Muro das Lamentações em Jerusalém
    © AFP 2020 / POOL/Heidi Levine
    A primeira-dama dos EUA, Melania Trump, perto do Muro das Lamentações em Jerusalém

    Posteriormente, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, declarou que os EUA deixariam de considerar os assentamentos israelenses como "em desacordo com o direito internacional". Finalmente, os EUA pararam de enviar a sua contribuição para a UNRWA, agência da ONU encarregada de fornecer ajuda humanitária aos refugiados palestinos.

    A Autoridade Nacional Palestina (ANP) cortou relações com Washington. Nessa semana, o presidente da ANP, Mahmoud Abbas, reafirmou sua posição "clara e resoluta" de não apoiar nenhuma inciativa de paz proposta pela administração Trump.

    O primeiro-ministro palestino, Mohammad Shtayyeh, rejeitou a proposta de Trump, antes mesmo de sua publicação:

    "Não passa de um plano para acabar com a causa palestina", disse o primeiro-ministro.

    "Nós rejeitamos [o plano] e pedimos à comunidade internacional que não a endosse, porque ela contradiz os fundamentos do direito internacional e os direitos inalienáveis do povo palestino", acrescentou Shtayyeh.

    Manifestantes palestinos queimam cartaz com foto do presidente dos EUA, Donald Trump, durante protesto contra o plano norte-americano para o conflito israelo-palestino
    © REUTERS / Mohammed Salem
    Manifestantes palestinos queimam cartaz com foto do presidente dos EUA, Donald Trump, durante protesto contra o plano norte-americano para o conflito israelo-palestino

    A administração Trump confirmou que falou “brevemente” com os palestinos sobre o plano.

    "Nós vamos falar com eles [palestinos] em um período de tempo", disse Trump. "E eles têm muitos incentivos para aceitar. Eu tenho certeza que eles vão reagir mal no começo, mas na verdade [o plano] será muito positivo para eles."

    A Casa Branca adiou a publicação do plano algumas vezes, aparentemente em função de dificuldades ligadas à política externa israelense. Israel realizou quatro eleições gerais em 2019, e ainda encontra dificuldades para formar um governo.

    Mais:

    General de Israel: Cisjordânia pode 'se incendiar' quando sair 'acordo do século' de Trump
    Acusado de corrupção, Netanyahu pede imunidade parlamentar
    Netanyahu diz que Eduardo Bolsonaro confirmou mudança de embaixada para Jerusalém em 2020 (VÍDEO)
    Tags:
    Cisjordânia, Jerusalém, Donald Trump, EUA, Palestina, Israel
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar