22:33 11 Julho 2020
Ouvir Rádio
    Oriente Médio e África
    URL curta
    20430
    Nos siga no

    O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, considera que está nas mãos de "países independentes" da Europa de salvar o acordo nuclear com o Irã.

    O ministro das Relações Exteriores do Irão, Mohammad Javad Zarif, criticou na quarta-feira (15) a decisão da União Europeia, tomada na terça-feira (14), de investigar o aumento do enriquecimento de urânio depois da onda de instabilidade na região desencadeada pelo assassinado do general iraniano Qassem Soleimani, sugerindo que sua decisão foi fomentada externamente. 

    "A Europa, a UE, é a maior economia global. Então, por que vocês permitem que os Estados Unidos os intimidem?", indagou o ministro iraniano.

    "Eles [os europeus] dizem: 'Não somos responsáveis pelo que os Estados Unidos fizeram'. OK, mas vocês são países independentes", disse Zarif em uma conferência de segurança internacional em Nova Deli, onde foi questionado sobre o rumo do acordo nuclear de 2015.

    "Os Estados Unidos não implementaram os compromissos [do acordo existente], agora saíram... Eu tinha um acordo com os Estados Unidos e os Estados Unidos quebraram-no. Se eu tiver um acordo com Trump, quanto tempo vai durar?", disse Mohammad Javad Zarif, segundo relatado pela agência Reuters. 

    Anteriormente, o presidente iraniano Hassan Rouhani criticou a ideia de Boris Johnson de simplesmente implementar um "plano Trump", ressaltando que "Trump não fez nada além de violar pactos e leis internacionais".

    Segundo o MRE iraniano, o pacto "não está morto", remetendo sua sobrevivência para o Reino Unido, França e Alemanha. No entanto, segundo disse na conferência, o pacto existente era "entre os melhores" que podia imaginar.

    História do acordo nuclear

    O acordo nuclear, denominado O Plano Conjunto de Ação Global (JCPOA, na sigla em inglês) foi assinado pelos EUA, a Europa, China, Rússia e o Irã em 2015, mas os EUA saíram do acordo em 2018 sob a nova administração de Donald Trump, o que levou ao crescente enriquecimento de urânio por parte do país persa, que afirma não perseguir o desenvolvimento de armas nucleares.

    O Irã prometeu que continuará em contato com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) liderada pela ONU, cujos inspetores estão realizando seu trabalho como habitualmente. No pior dos casos o Irã poderia ver o Conselho de Segurança da ONU decidindo reinstituir algumas sanções.

    Mais:

    Bolton 'envenena' Reino Unido na tentativa de arrastar Londres para 'pântano', segundo Zarif
    EUA não vão acabar com guerra no Iêmen culpando o Irã, diz Zarif
    Irã exige provas de acusações e não descarta 'guerra generalizada', diz Zarif
    Tags:
    acordo nuclear, Irã, EUA
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar