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    Carlos Ghosn, falando pela primeira vez em público desde sua dramática fuga da justiça japonesa, disse a repórteres em Beirute, no Líbano, que ele foi tratado "brutalmente" pelos promotores de Tóquio que ele acusou de ajudar a Nissan a demiti-lo do posto de presidente.

    Vestindo terno azul e gravata vermelha e falando em tom desafiador, o ex-chefe da Nissan declarou em entrevista coletiva que não estava confiante de que enfrentaria um julgamento justo se permanecesse no Japão.

    O ex-ícone da indústria automobilística fugiu do Japão no mês passado, onde aguardava julgamento por acusações de subnotificação de lucros, quebra de confiança e apropriação indébita de fundos da empresa, o que ele nega. Ghosn disse que fugiu para o Líbano para limpar seu nome.

    "Você vai morrer no Japão ou terá que sair", afirmou Ghosn, descrevendo seus sentimentos. "Eu me senti como refém de um país que servi por 17 anos", prosseguiu ele a repórteres que se aglomeravam no sindicato de imprensa de Beirute, à beira-mar no Líbano.

    Outros esperavam do lado de fora sob forte chuva, incluindo alguns meios de comunicação japoneses que haviam sido excluídos do briefing.

    "As acusações contra mim são infundadas", acrescentou Ghosn, repetindo sua alegação de que a Nissan e as autoridades japonesas conspiraram para expulsá-lo após uma queda na fortuna da Nissan e em vingança pela interferência do governo francês na aliança da montadora com a Renault.

    "Por que eles estenderam o cronograma da investigação, por que eles me prenderam novamente? Por que eles estavam tão empenhados em me impedir de falar e expor meus fatos?", questionou Ghosn sobre as autoridades japonesas.

    "Por que eles passaram 14 meses tentando quebrar meu espírito, impedindo qualquer contato com minha esposa?", complementou.

    Ex-presidente da Nissan, Carlos Ghosn, sai de prisão em Tóquio, em abril de 2019
    © REUTERS / Issei Kato
    Ex-presidente da Nissan, Carlos Ghosn, sai de prisão em Tóquio, em abril de 2019

    Japão quer retorno

    Os promotores de Tóquio emitiram na terça-feira um mandado de prisão para a esposa de Ghosn, Carole, por suposto perjúrio.

    O Ministério da Justiça do Japão informou que tentará encontrar uma maneira de trazer Ghosn de volta do Líbano, apesar de não ter tratado de extradição com o Japão.

    As autoridades turcas e japonesas estão investigando como Ghosn conseguiu fugir para Beirute. A Interpol emitiu um "aviso vermelho" pedindo sua prisão.

    A entrevista coletiva de Ghosn marca a mais recente reviravolta de uma saga de 14 meses que abalou a indústria automobilística global, ameaçou a aliança Renault-Nissan da qual Ghosn era o arquiteto e aumentou o escrutínio do sistema judicial do Japão.

    A Nissan disse que uma investigação interna descobriu que Ghosn havia se envolvido em uso pessoal de dinheiro da empresa e subestimado sua renda, violando a lei japonesa.

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    Tags:
    Interpol, fugitivos, fuga, indústria automobilística, corrupção, Renault, Nissan, Carlos Ghosn, Beirute, Líbano, França, Brasil, Japão
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