08:20 24 Janeiro 2020
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    O assassinato o comandante Qassem Soleimani pode ser a escalada mais dramática nas relações entre EUA e Irã desde o início da Guerra do Iraque.

    Nesta sexta-feira (3), os EUA realizaram um ataque aéreo ao aeroporto internacional de Bagdá para eliminar um dos mais poderosos comandantes militares iranianos, o major-general Qassem Soleimani.

    Soleimani era um dos líderes da Guarda Revolucionária iraniana e o comandante da força Quds. Os ataques aéreos dos EUA foram realizados após a invasão da Embaixada dos EUA em Bagdá por militantes xiitas da milícia Kataib Hezbollah (KH), que seria apoiada pelo Irã.

    Destroços em chamas próximos ao aeroporto internacional de Bagdá. De acordo com grupos paramilitares iraquianos, três mísseis dos EUA teriam atingido o aeroporto, em 3 de janeiro de 2020
    © REUTERS / Social Media
    Destroços em chamas próximos ao aeroporto internacional de Bagdá. De acordo com grupos paramilitares iraquianos, três mísseis dos EUA teriam atingido o aeroporto, em 3 de janeiro de 2020

    Para especialista ouvido pela revista norte-americana Foreign Policy, o assassinato de Soleimani irá aproximar os EUA e o Irã de um conflito direto.

    "Estamos entrando em um período no qual há uma grande possibilidade […] de conflito direto entre os EUA e o Irã. O Oriente Médio já está em chamas, por causa de conflitos e protestos em grande escala. Agora pode ficar muito, muito pior", declarou Seth Jones, pesquisador do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais.

    Segundo o especialista, até agora o Irã e os EUA se confrontavam de maneira indireta, em territórios de países terceiros, como o Iraque, Síria e Líbano.

    "Até agora, o conflito entre o Irã e os EUA foi, sobretudo, indireto, envolvendo as sanções econômicas dos EUA e ataques contra aliados militares", explicou.

    Manifestantes incendeiam parte da Embaixada dos EUA, em Bagdá, no Iraque,nesta terça-feira (31)
    © AP Photo / Khalid Mohammed
    Manifestantes incendeiam parte da Embaixada dos EUA, em Bagdá, no Iraque, nesta terça-feira (31)

    Para ele, a estratégia de guerra assimétrica do Irã, que apostava na expansão de forças militares aliadas ao redor da região, sofre um grande abalo com o assassinato de Soleiman.

    "O ataque eliminou a figura militar mais importante do Irã [...] Soleiman supervisionava pessoalmente a expansão do Irã, criando um culto da personalidade por toda a região. Sua morte representa uma baixa significativa para a estratégia assimétrica do Irã", acrescentou.

    O ataque norte-americano teria sido ordenado por Donald Trump pessoalmente, o que representa uma mudança significativa, uma vez que o presidente dos EUA havia manifestado o desejo de retirar as tropas dos EUA do Oriente Médio.

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    Tags:
    ataque aéreo, assassinato, Qassem Soleimani, EUA, Irã
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