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    Possível local da operação norte-americana que teria assassinado Abu Bakr al-Baghdadi, no nordeste da Síria, no dia 28 de outubro de 2019

    Por que al-Baghdadi teria fugido para território inimigo? Analista comenta captura de terrorista

    © AFP 2019 / Omar Haj Kadour
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    Neste domingo (27), o presidente Donald Trump anunciou a liquidação do líder do Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e demais países) após uma operação em Idlib, no nordeste da Síria. Após testes de DNA terem comprovado a identidade do terrorista, algumas perguntas sobre a operação seguem sem resposta.

    Em pronunciamento feito neste domingo (27), Donald Trump descreveu a operação norte-americana que teria eliminado Abu Bakr al-Baghdadi, líder da organização terrorista Daesh.

    Ontem à noite, os EUA levaram o líder terrorista número um do mundo à justiça. O presidente Donald Trump fala sobre a morte de Abu Bakr al-Baghdadi, fundador e líder do ISIS [Daesh].

    O serviço em inglês da Rádio Sputnik recebeu o analista de relações internacionais e segurança Mark Sleboda para conversar sobre o ocorrido e dissecar os detalhes da operação norte-americana.

    O petróleo sírio

    De acordo com o analista, o interesse dos EUA neste momento é garantir a posse do petróleo sírio:

    "O interesse deles agora é se apossar do petróleo da Síria. O Ministério da Defesa da Rússia chegou mesmo a acusar os Estados Unidos de estarem envolvidos em contrabando de petróleo sírio", lembrou o analista.

    De fato, o major-general russo Igor Konashenkov acusou os Estados Unidos de contrabandearem petróleo, com base em imagens de satélite, publicadas neste sábado (26).

    Poço de petróleo nos arredores da cidade síria de Deir ez-Zor, na Síria
    © Sputnik / Mikhail Voskresensky
    Poço de petróleo nos arredores da cidade síria de Deir ez-Zor, na Síria

    O major-general classificou a presença de tropas e a fortificação do terreno em torno dos poços de petróleo de al-Hakashah como "banditismo estatal internacional".

    Uma empresa citada por Konashenkov é a norte-americana Sabcab (também conhecida como Sedcab). Apesar de ter sido criada com apoio da comunidade curda local, os seus lucros revertem para serviços de inteligência e empresas de segurança privadas ligados aos EUA.

    Tanques M1 Abrams norte-americanos poderão ser enviados a campos de petróleona na Síria
    © Sputnik / Sergey Melkonov
    Tanques M1 Abrams norte-americanos poderão ser enviados a campos de petróleona na Síria

    Sleboda explicou que os lucros provenientes do petróleo contrabandeado financiam "operações especiais e secretas" dos EUA na região.

    Captura de Baghdadi em Idlib gera questionamentos

    O analista notou que a captura em Idlib do líder do Daesh é passível de questionamentos. A cidade é um reduto da Al-Qaeda (organização terrorista proibida na Rússia e demais países), um grupo bastante hostil ao Daesh.

    "É estranho que Baghdadi tenha fugido para Idlib, um território controlado pelos seus inimigos", ponderou.

    A cidade, localizada a cerca de 8 quilômetros da fronteira com a Turquia, também seria de difícil acesso ao terrorista líder do Daesh:

    "Para chegar até lá [Idblib], Baghdadi teria que ter atravessado muitos territórios inimigos: territórios controlados pelos curdos, pelos americanos, por milícias apoiadas pelos turcos, pelo governo sírio e pela Rússia", descreveu o analista.

    O analista também notou que os norte-americanos não realizaram a operação a partir da Turquia, seu aliado da OTAN, preferindo realizá-la a partir do Iraque. Isso, segundo Sleboda, seria uma demonstração de que os norte-americanos não confiam no líder turco, Recep Tayyip Erdogan.

    Mais:

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    terrorista, captura, Donald Trump, Abu Bakr al-Baghdadi, Daesh, Síria
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