06:12 24 Agosto 2019
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    Ministro das Relações Exteriores do Irão Mohammad Javad Zarif

    Trump foi 'enganado' por aliados para matar acordo nuclear, afirma chanceler do Irã

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    O chanceler do Irã, Mohammad Javad Zarif, declarou nesta quarta-feira que os aliados do presidente estadunidense Donald Trump haviam enganado o líder dos EUA para que matasse um acordo nuclear de 2015 entre Teerã e potências mundiais.

    Zarif escreveu no Twitter que o conselheiro de segurança nacional de Trump, John Bolton, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, haviam matado um acordo anterior em 2005, insistindo que o Irã parasse todo o enriquecimento de urânio.

    "Agora eles atraíram @realdonaldtrump para matar o #JCPOA [o acordo nuclear de 2015] com a mesma ilusão", acrescentou Zarif.

    O Irã informou que vai aumentar seu enriquecimento de urânio em poucas horas acima do limite estabelecido pelo acordo nuclear, uma medida que pode significar o retorno de todas as sanções econômicas a Teerã.

    Europeus preocupados

    Ao mesmo tempo em que Zarif criticou Trump, os signatários europeus do acordo nuclear com o Irã, junto com o chefe diplomático da União Europeia (UE), instaram nesta terça-feira Teerã a reverter as violações do acordo, à medida que as tensões crescem.

    Um dia depois de os inspetores da ONU terem confirmado que o Irã ultrapassou o limite de enriquecimento de urânio estabelecido pelo acordo de 2015 e com um alto funcionário francês em Teerã para negociações, os ministros de Relações Exteriores da França e Alemanha expressaram "profunda preocupação" com a crescente crise.

    Reator atômico na usina nuclear de Bushehr, no sul do Irã (foto de arquivo)
    © AFP 2019 / ATTA KENARE
    Reator atômico na usina nuclear de Bushehr, no sul do Irã (foto de arquivo)

    A UE tentou desesperadamente, mas em grande parte infrutiferamente, salvar o acordo, que reduziu as ambições nucleares do Irã em troca do alívio das sanções, desde que Trump retirou abruptamente os EUA do ano passado e impôs sanções repentinas à República Islâmica.

    "Os ministros de Relações Exteriores da França, Alemanha e Reino Unido e o Alto Representante (UE) expressam profunda preocupação pelo fato de o Irã estar desenvolvendo atividades inconsistentes com seus compromissos sob o Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA)", afirmaram em um comunicado, usando o nome oficial do acordo nuclear.

    "Ele deve agir de acordo revertendo essas atividades e retornando à conformidade total do JCPOA sem demora", completaram.

    O comunicado afirma que uma reunião da comissão mista de supervisão do JCPOA - composta pelos restantes signatários - deve ser chamada "urgentemente".

    Reunião nesta quarta-feira

    A mudança do Irã para o enriquecimento veio mais de um ano depois da saída de Washington. Teerã está tentando aumentar a pressão sobre os países europeus para ajudar a manter o comércio, apesar das sanções dos EUA.

    Além do aumento do enriquecimento, o Irã também ultrapassou um limite de 300 kg para as reservas de urânio enriquecido, segundo a AIEA, a agência nuclear da ONU, que agendou uma reunião especial sobre o assunto nesta quarta-feira.

    O Irã diz que não está violando o acordo, citando termos do acordo que permite que um dos lados abandone temporariamente alguns dos compromissos se considerar que o outro lado não está cumprindo sua parte do acordo.

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    Tags:
    enriquecimento de urânio, guerra, diplomacia, Plano Conjunto de Ação Integral (JCPOA), armas nucleares, acordo nuclear, Israel, Benjamin Netanyahu, John Bolton, Donald Trump, Mohammad Javad Zarif, Alemanha, França, Europa, Estados Unidos, Irã
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