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    Donald Trump - presidenciável dos EUA. 10 de maio, 2016

    Trump: Irã 'brinca com fogo' após violação do limite do acordo nuclear

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    O presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu nesta segunda-feira que o Irã está "brincando com fogo" depois que Teerã informou que excedeu o limite de reservas de urânio enriquecido sob um acordo nuclear de 2015 abandonado por Washington.

    Israel pediu aos países europeus que sancionem o Irã, enquanto a Rússia manifestou pesar, mas disse que o movimento foi uma consequência da pressão dos EUA, que empurrou o acordo para o colapso.

    A Grã-Bretanha pediu a Teerã "que evite qualquer passo adiante" do acordo histórico, e a ONU declarou que o Irã deve manter seus compromissos sob o acordo.

    "O Irã ultrapassou o limite de 300 quilos com base em seu plano" anunciado em maio, afirmou o ministro de Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, à agência de notícias ISNA. Mas ele também disse que o movimento pode ser revertido.

    "Eles sabem o que estão fazendo. Eles sabem com o que estão brincando e acho que estão brincando com fogo", rebateu Trump a repórteres na Casa Branca quando perguntado se ele tinha uma mensagem para o Irã.

    Colapso

    Os Estados Unidos retiraram-se do acordo nuclear no ano passado e atingiram as cruciais exportações e transações financeiras do Irã, bem como outros setores com pequenas sanções.

    Teerã, que tentou pressionar os partidos remanescentes para salvar o acordo, anunciou em 8 de maio que não respeitaria mais o limite estabelecido em seu estoque de urânio e água pesada.

    Reator atômico na usina nuclear de Bushehr, no sul do Irã (foto de arquivo)
    © AFP 2019 / ATTA KENARE
    Reator atômico na usina nuclear de Bushehr, no sul do Irã (foto de arquivo)

    A República Islâmica ameaçou abandonar novos compromissos nucleares, a menos que os parceiros restantes - Grã-Bretanha, China, França, Alemanha e Rússia - ajudassem a contornar as sanções, especialmente para vender seu petróleo.

    A Casa Branca havia dito anteriormente que "os Estados Unidos e seus aliados nunca permitirão que o Irã desenvolva armas nucleares", prometendo continuar exercendo "pressão máxima" sobre o regime.

    "Foi um erro do acordo nuclear com o Irã permitir que o Irã enriquecesse urânio em qualquer nível", informou a porta-voz Stephanie Grisham em um comunicado.

    Zarif insistiu que o Irã não fez nada de errado. "Nós NÃO violamos o #JCPOA", ele escreveu no Twitter, referindo-se ao acordo.

    Ele disse que o Irã "reverteria" sua decisão "assim que a E3 cumprir suas obrigações" - referindo-se aos partidos europeus no acordo: Grã-Bretanha, França e Alemanha.

    Ameaça

    O colega americano de Zarif, Mike Pompeo, acusou o Irã de usar seu programa nuclear "para extorquir a comunidade internacional e ameaçar a segurança regional".

    A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que o Irã ultrapassou o limite imposto pelo acordo ao seu estoque de urânio de baixo enriquecimento (LEU).

    Um diplomata em Viena, onde a agência nuclear da ONU está baseada, declarou à Agência AFP que o Irã ultrapassou o limite de 300 kg em 2 kg.

    O vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, disse que a decisão do Irã foi motivo de "arrependimento", mas também "uma consequência natural dos recentes acontecimentos" e resultado da "pressão sem precedentes" dos EUA.

    "Não se deve dramatizar a situação", declarou Ryabkov, cujo país é um aliado próximo de Teerã, em comentários feitos por agências de notícias russas.

    O ministro de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, Jeremy Hunt, disse no Twitter que Londres está "profundamente preocupada" e pediu ao Irã que "retorne à conformidade" com o acordo nuclear.

    O chefe da ONU, Antonio Guterres, disse que é "essencial" que o Irã se mantenha no acordo.

    O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu aos países europeus que imponham sanções ao arqui-inimigo Irã.

    Apoio europeu

    Trump conversou com o presidente francês, Emmanuel Macron, nesta segunda-feira sobre a violação do limite nuclear do Irã, disse a Casa Branca.

    Presidente francês, Emmanuel Macron (à esquerda), saúda seu homólogo estadunidense, Donald Trump, na entrada do Palácio do Eliseu, em Paris
    © REUTERS / Vincent Kessler
    Presidente francês, Emmanuel Macron (à esquerda), saúda seu homólogo estadunidense, Donald Trump, na entrada do Palácio do Eliseu, em Paris

    A União Europeia (UE) disse na sexta-feira após uma reunião para salvar o acordo que um mecanismo especial de pagamento para ajudar o Irã a contornar as sanções, conhecido como INSTEX, estava finalmente "operacional" e que as primeiras transações estavam sendo processadas.

    Mas "os esforços dos europeus não foram suficientes, portanto o Irã seguirá em frente com suas medidas anunciadas", disse Zarif. A INSTEX, que "é apenas o começo" de seus compromissos, ainda não foi totalmente implementada, acrescentou.

    O acordo de 2015 viu o Irã se comprometer a nunca adquirir uma bomba atômica, aceitar limites drásticos em seu programa nuclear e submeter-se a inspeções da AIEA em troca de um levantamento parcial de sanções internacionais incapacitantes.

    O Irã também ameaçou começar a enriquecer urânio acima do nível máximo de purificação acordado de 3,67% a partir de 7 de julho. Isso permanece muito aquém dos 90% de pureza exigidos para construir uma arma.

    As tensões mais recentes coincidem com o aumento das forças norte-americanas no Golfo e uma série de incidentes, incluindo o abandono pelo Irã de um avião não tripulado dos Estados Unidos que havia entrado em seu espaço aéreo.

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    Tags:
    Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), enriquecimento de urânio, armas nucleares, diplomacia, JCPOA, acordo nuclear, Mohammad Javad Zarif, Donald Trump, Israel, Rússia, Estados Unidos, Irã
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