15:50 12 Dezembro 2019
Ouvir Rádio
    Nota e moeda de um dólar americano

    Análise: acordos financeiros turco-iranianos são passo para acabar com domínio do dólar

    © Sputnik / Aleksei Sukhorukov
    Oriente Médio e África
    URL curta
    4220
    Nos siga no

    Acordos financeiros entre países como o Irã, Rússia ou Turquia representariam um golpe decisivo contra o domínio do dólar, considera o analista.

    Mohammad Zarif, ministro das Relações Exteriores do Irã, declarou recentemente que o país mantém conversações com uma série de Estados, entre os quais o Azerbaijão, a China, a Índia, a Rússia e a Turquia, sobre a assinatura de acordos financeiros que visam limitar a utilização do dólar.

    O analista Mehmet Ali Guller, jornalista turco, observador político e autor de uma série de livros sobre a situação no Oriente Médio, comentou a declaração do chanceler iraniano, em entrevista à Sputnik Turquia.

    "Não é tanto a escala e o âmbito destes acordos que aqui são importantes, mas sim o próprio fato da sua conclusão. Acontece que, a longo prazo, eles tornarão impossível a aplicação de sanções americanas", disse.

    De acordo com Mehmet Ali Guller, os acordos financeiros, os mecanismos de pagamento comuns, a utilização de moedas nacionais nas trocas comerciais, tudo isso são passos com vista a derrubar a dominação do dólar na economia mundial.

    "É por isso que os EUA se opõem ao mecanismo de pagamento conjunto INSTEX estabelecido pela Alemanha, França e Grã-Bretanha com o Irã", disse ele.

    Que benefícios retira o Irã desses acordos?

    Os acordos turco-iranianos permitem desenvolver qualitativamente as relações bilaterais, destacou o analista.

    "Tais acordos bilaterais e mecanismos de pagamento conjunto motivarão os atores 'locais' a cumprir a letra da lei no âmbito dos acordos assinados entre os dois países", disse ele.

    Em condições de sanções, realizar trocas comerciais usando diferentes meios ilegais dentro do sistema financeiro controlado pelos EUA causa problemas nas relações bilaterais e dá aos Estados Unidos um trunfo adicional, afirma Mehmet Ali Guller.

    "Em particular, os problemas que ocorreram nos últimos anos nas relações comerciais turco-iranianas, que foram conduzidas através de intermediários e agentes, infelizmente, ainda são um trunfo que os EUA usam contra a Turquia. Dado isso, a assinatura de um acordo financeiro bilateral entre a Turquia e o Irã assegurará o desenvolvimento e o reforço das relações comerciais entre os dois países em uma base saudável e sólida", disse ele.

    Que papel desempenham as sanções norte-americanas na economia mundial?

    "O peso econômico desses países [mencionados pelo chanceler iraniano] ultrapassa o tamanho da economia dos EUA e eles não têm que negociar sob as condições americanas", disse ele.

    Depois de a China ter entrado na Organização Mundial do Comércio e de ter aumentado seu peso no Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial, a arquitetura financeira mundial criada pelos EUA começou a mudar.

    "Como é sabido, muitos destes países mencionados fazem parte das mesmas estruturas e decidiram mudar para as moedas nacionais no comércio bilateral. Essa decisão, gradualmente, começou a refletir-se em seus sistemas comerciais. Podemos dizer que esse é um golpe importantíssimo contra o domínio do dólar", considera ele.

    Em conclusão, o analista destaca que a total independência de um país só é possível nas condições de independência econômica, e que tais modelos de cooperação como os acordos financeiros bilaterais visam alcançar precisamente esse objetivo.

    Mais:

    Iraque é contra os EUA usarem seu território para ações hostis contra o Irã
    Qualquer passo errado pode conduzir a confronto aberto entre EUA e Irã, avisa cientista político
    Trump: possível guerra com Irã 'não vai durar muito'
    Tags:
    domínio, dólar, golpe, Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Organização Mundial do Comércio, Instrumento de Apoio ao Comércio Exterior (INSTEX), Grã-Bretanha, França, Alemanha, Oriente Médio, Turquia, Rússia, Índia, China, Irã, EUA
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar