07:47 17 Agosto 2019
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    Porta-aviões norte-americano Abraham Lincoln ao lado de caças F-18 durante exercícios no golfo Pérsico

    Será que ataque de bandeira falsa pode iniciar conflito entre EUA e Irã?

    © AP Photo / Hassan Ammar, File
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    As crescentes tensões entre os EUA e o Irã no golfo Pérsico têm semelhanças com o incidente no golfo de Tonkin, a operação de falsa bandeira realizada por Washington para justificar o início da guerra do Vietnam, afirmou o analista Lawrence Korb em um artigo para a National Interest.

    Apesar de muitos analistas compararem a situação e as recentes declarações dos EUA sobre o aumento das capacidades militares do Irã com o período antes da guerra do Iraque em 2002 e 2003, Lawrence Korb, que foi o vice-secretário de Defesa dos EUA entre 1981 e 1985, tem outra opinião.

    Devido ao atual aumento de forças estadunidenses no golfo Pérsico, que agora incluem um grupo de ataque composto por seis navios, ao menos cinquenta aviões de combate, uma embarcação anfíbia, uma bateria de mísseis Patriot e quatro armas nucleares, existe um grave risco de voltarem a acontecer acidentes ou erros de cálculo como o que ocorreu em Tonkin em 1964, explicou Korb em seu artigo para a National Interest.

    Naquela época, o Vietnã do Norte buscava unificar o país, que fora dividido após os acordos alcançados na Conferência de Genebra de 1954. Quando os franceses abandonaram a Indochina, o Vietnã foi dividido em dois Estados: um socialista no norte e outro no sul, a República do Vietnã.

    O Vietnã do Norte tinha fortes laços comerciais com a União Soviética e com a China, enquanto os EUA e seus aliados apoiavam a independência do Vietnã do Sul.

    Em 4 de agosto de 1964, o destróier americano USS Maddox, parte de um grupo de navios de guerra implantado no golfo de Tonkin, foi alcançado por três lanchas do Vietnã do Norte.

    Quando as lanchas se aproximaram do destróier, o Maddox fez três disparos de advertência e os norte-vietnamitas responderam com torpedos e metralhadoras. O Maddox, por sua vez, respondeu e danificou as lanchas do Vietnã do Norte, causando a morte de quatro norte-vietnamitas.

    O então presidente dos EUA, Lyndon Johnson, ordenou realizar ataques aéreos contra as bases do Vietnã do Norte e as instalações de armazenamento de petróleo. No dia seguinte, o presidente solicitou ao Congresso autorização para utilizar todos os meios necessários para combater todas as ameaças do Vietnã do Norte.

    Entretanto, nem o presidente, nem o seu então secretário de Defesa Robert McNamara informaram o povo estadunidense de que navios de patrulha do Vietnã do Sul, comprados pelos EUA, realizaram ataques e bombardeamentos nas ilhas do Vietnã do Norte devido a um plano de Washington, pouco antes do primeiro ataque, não tendo havido evidência real de um ataque em 4 de agosto.

    Como foi confirmado mais tarde, esses ataques foram um evento de bandeira falsa realizado em várias etapas.

    O governo de Johnson utilizou esse incidente para que o Congresso aprovasse uma resolução para começar uma campanha aérea e terrestre massiva contra o Vietnã do Norte, o que deu início à guerra do Vietnã, que durou dez anos.

    Naquela época, Korb estava em serviço ativo e ouviu dizer a um de seus colegas (que tinha participado em missões de combate na Segunda Guerra Mundial e na Coreia) que estava claro que o segundo ataque nunca tinha ocorrido e que todo o incidente era falso.

    "Nos resta esperar que um incidente isolado ou um suposto ataque não provoque uma represália que possa levar a um conflito com o Irã ao estilo do Vietnã", conclui o autor.

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    Vietnã, guerra, EUA, Irã
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