20:34 17 Setembro 2019
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    Militares do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (foto de arquivo)

    Análise: é possível operação militar dos EUA contra Irã através do Iraque?

    © REUTERS / MORTEZA NIKOUBAZL
    Oriente Médio e África
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    O Exército dos EUA colocou os seus militares no Iraque em estado de alerta devido às tensões com o Irã. Além disso, os americanos enviaram para o golfo Pérsico um grupo de navios militares liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln. Será que Bagdá pode se tornar a principal plataforma para os EUA atacarem o Irã?

    Sabah Zangane, especialista em problemas no mundo árabe e ex-embaixador do Irã na Organização para a Cooperação Islâmica, apontou em entrevista à Sputnik Persa que a estrutura social e política do Iraque, bem como o caráter das relações intergovernamentais e entre os povos do Irã e do Iraque não permitirão que Bagdá se torne um trampolim dos EUA para combater Teerã. 

    "As relações entre o Irã e o Iraque dificultam o uso do território iraquiano para um ataque militar contra o Irã. O povo iraquiano responderá às pretensões dos americanos de um jeito apropriado. O Irã possui ligações no governo do Iraque, e o povo deste país apoia a República Islâmica. Até mesmo os americanos estão preocupados por tal situação poder ser para eles um obstáculo sério".

    "Não devemos nos esquecer de que no Iraque continuam presentes assessores militares iranianos que ajudam as Forças Armadas do Iraque a lutar contra o Daesh [organização terrorista proibida na Rússia e em vários outros países]. Neste país não há forças que apoiem as intenções dos EUA", acrescentou o analista, apontando que nestes dias um teólogo sunita divulgou uma fatwa que obriga os jovens sunitas a passar a proteger o Irã, caso este venha a lidar com uma ameaça.

    Zangane supõe que as ações que os EUA estão empreendendo em relação ao Irã é uma guerra psicológica, já que os americanos não veem necessidade, nem tampouco benefício, em um confronto militar aberto.

    "No momento os EUA estão conduzindo uma guerra psicológica contra o Irã. Uma guerra a sério é desvantajosa para os americanos devido a dois motivos. Em primeiro lugar, porque para a eleições presidenciais nos EUA resta um pouco mais de um ano, portanto, iniciar uma guerra agora significa cometer um suicídio político e prejudicar significativamente tanto os EUA, como a comunidade internacional”, apontou o analista.

    “Em segundo lugar, os EUA afirmaram repetidamente que pretendem transferir o centro estratégico do Oriente Médio para o Extremo Oriente. Por conseguinte, a criação de mais um conflito no Oriente Médio, no golfo Pérsico, contraria esta estratégia e permitiria que os adversários dos EUA usassem o novo conflito para atingir seus próprios objetivos”, ressaltou Sabah Zangane.

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    Tags:
    tensões, operação militar, Iraque, EUA, Irã
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