07:42 18 Junho 2019
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    Chanceler do Irã Mohammad Javad Zarif

    Ministro de Relações Exteriores do Irã pede demissão pelo Instagram

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    O ministro de Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, que foi o principal negociador do acordo nuclear de 2015, anunciou sua renúncia no Instagram nesta segunda-feira, mas ela só pode entrar em vigor quando o presidente Hassan Rouhani aceitar.

    "Peço desculpas pela minha incapacidade de continuar a servir e por todas as falhas durante meu mandato", disse Zarif em mensagem postada em sua conta verificada no Instagram.

    Zarif agradeceu aos iranianos e "funcionários respeitados" pelo seu apoio "nos últimos 67 meses".

    A renúncia do principal diplomata do Irã foi confirmada por uma fonte informada, mas o chefe de gabinete de Rouhani negou veementemente que o presidente aceitou a renúncia de Zarif em um tweet.

    A demissão aconteceu horas depois de uma visita surpresa do presidente sírio, Bashar Al-Assad, a Teerã. No entanto, de acordo com a agência de notícias ISNA, Zarif não estava presente em nenhuma das reuniões de Assad com o líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamanei, e Rouhani.

    Membros proeminentes dos Parlamentos solicitaram imediatamente que Rouhani não aceitasse a renúncia.

    "Sem dúvida, o povo, o governo e o Estado iranianos não se beneficiarão com a renúncia", disse Mostafa Kavakebian, parlamentar reformista.

    "A grande maioria dos deputados exige que o presidente nunca aceite essa demissão", acrescentou ele em um tweet.

    O chefe da influente comissão de segurança nacional e política externa do Parlamento disse à ISNA como a planejada viagem a Genebra com Zarif na tarde de segunda-feira havia sido cancelada no último minuto sem nenhuma explicação.

    Sob pressão

    "De repente, recebi uma mensagem de texto informando que a viagem foi cancelada", afirmou Heshmatollah Falahatpisheh à ISNA, acrescentando que não foi a primeira vez que Zarif renuncia, mas "que ele fez isso publicamente desta vez significa que ele quer que o presidente aceite desta vez".

    Zarif, de 59 anos, serviu como ministro de Relações Exteriores de Rouhani desde agosto de 2013 e tem estado sob pressão e críticas constantes de radicais que se opuseram à sua política de distensão com o Ocidente.

    Sua posição dentro do establishment político do Irã sofreu um impacto quando os EUA se retiraram do acordo nuclear em maio de 2018 e as conquistas do acordo tornaram-se cada vez menos claras à medida que a economia do Irã despencava.

    Zarif foi responsabilizado pelos ultraconservadores por negociar um mau acordo que não ganhou nada de significativo para o Irã por todas as concessões que fez em seu programa nuclear.

    O confronto entre o ministro e seus críticos só se intensificou com o passar do tempo, com Zarif dizendo que sua principal preocupação durante as negociações nucleares foi a pressão de dentro do Irã.

    "Nós estávamos mais preocupados com os punhais que foram atingidos por trás do que as negociações", declarou a um jornal local em 2 de fevereiro.

    "O outro lado nunca conseguiu me desgastar durante as negociações [...] mas a pressão interna me derrubou durante e depois das negociações", complementou.

    O último ponto de discórdia entre Zarif e os radicais foi a implementação dos requisitos do Grupo de Ação Financeira sobre lavagem de dinheiro no Irã.

    A divergência sobre a questão lançou o governo e o Parlamento contra os conselhos de supervisão.

    No domingo, a ISNA informou que Zarif havia advertido o Conselho de Conveniência, um órgão de arbitragem encarregado de resolver tais impasses, que deveria "entender as consequências de sua decisão".

    Ele foi imediatamente atacado pelos ultraconservadores que consideraram o que Zarif havia dito como uma ameaça.

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    Tags:
    persas, demissão, diplomacia, Isna, Mostafa Kavakebian, Bashar Assad, Mahmoud Vaezi, Aiatolá Ali Khamenei, Hassan Rouhani, Mohammad Javad Zarif, Síria, Teerã, Irã
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