08:06 24 Agosto 2019
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    Laboratório de controle e prevenção do vírus HIV na cidade russa de Rostov no Don

    Mercenários 'apoiados pela CIA' espalharam HIV na África do Sul, diz ex-membro

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    Oriente Médio e África
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    Um documentário sobre o acidente de avião de 1961 que matou o então secretário-geral da ONU, Dag Hammarskjold, estreou no último fim de semana no Festival de Sundance e contém declarações explosivas de uma conspiração para espalhar o HIV entre a população negra da África do Sul.

    Dirigido pelo controverso jornalista, cineasta e provocador dinamarquês Mads Brügger, "Cold Case Hammarskjold" estreou no sábado passado. O filme detalha uma investigação sobre a morte, em grande parte não solucionada, do diplomata sueco e do ex-secretário-geral da ONU, cujo avião DC-6 caiu perto de Ndola, na Rodésia do Norte (atual Zâmbia).

    Investigações iniciais identificaram a causa como erro do piloto ou mera falha mecânica, embora dúvidas tenham persistido nos mais de 50 anos desde o acidente.

    Durante todo o curso do novo documentário, Brügger e sua equipe investigam uma milícia branca, o Instituto Sul-Africano de Pesquisa Marítima (SAIMR). De acordo com documentos revelados pelos cineastas, o grupo operou com o apoio da CIA e da Inteligência Britânica e orquestrou o acidente aéreo de 1961 que matou Hammarskjold. Os documentaristas acabaram encontrando e entrevistando um homem chamado Alexander Jones, supostamente um ex-membro do grupo.

    Jones afirma que o grupo de mercenários usou vacinas falsas para espalhar o HIV com o objetivo de aniquilar a população negra da África do Sul, além de realizar o assassinato de Hammarskjold.

    "Estávamos em guerra", diz Jones, conforme citado pelo jornal estadunidense The New York Times. "Os negros na África do Sul eram o inimigo", acrescentou.

    No entanto, especialistas médicos já descartaram as alegações de Jones como medicamente duvidosas e não científicas ao extremo.

    "A probabilidade de que eles foram capazes de fazer isso é quase zero", pontuou o doutor Salim S. Abdool Karim, diretor do Caprisa, um centro de pesquisa sobre a AIDS na África do Sul, citando os imensos recursos que seriam necessários para conduzir uma tentativa frustrada de genocídio.

    Apesar das limitações tecnológicas dos anos 90, incluindo facilidades para rivalizar com os dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos EUA, além de milhões de dólares em financiamento, o HIV é extraordinariamente difícil de isolar, transportar e crescer em um ambiente de laboratório, distribuir em massa em uma operação clandestina, explica Abdool.

    No entanto, Jones afirma que ele visitou uma instalação de pesquisa na década de 1990 que foi usada para "pela experimentação sinistra" e que ele estava certo de que sua intenção era "erradicar os negros".

    Muitos criticaram os cineastas por ajudar a semear a desconfiança do establishment médico em um país que já tem uma das taxas mais altas de infecção por HIV do mundo, enquanto reaviva teorias conspiratórias perigosas que persistem desde a Guerra Fria.

    O cineasta, que já foi descrito como "fabulista" e "provocador", de acordo com o site Hollywood Reporter, admite ter sido incapaz de corroborar a história em evolução de Jones. Enquanto os documentaristas continuavam a questionar Jones, seus relatos tornaram-se cada vez mais duvidosos, ao professar em primeira mão o conhecimento de pessoas que aparentemente haviam sido trazidas à sua atenção pelos próprios documentaristas.

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    Tags:
    genocídio, AIDS, HIV, conspiração, documentário, Sundance, ONU, CIA, Salim S. Abdool Karim, Alexander Jones, Dag Hammarskjold, Mads Brügger, África do Sul
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