17:37 29 Maio 2020
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    É improvável que os EUA entreguem suas bases militares no norte da Síria, perto das fronteiras da Turquia, porque a transferência das bases comprometeria as relações de Washington com Ancara ou com Moscou, especulou Mahmoud Afandi, representante em Astana da plataforma de oposição síria, à Sputnik News.

    Em dezembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que os Estados Unidos retirariam seus cerca de 2 mil soldados da Síria, afirmando que o Daesh (grupo terrorista autodenominado Estado Islâmico, proibido na Rússia). A imprensa local reportou que Trump havia decidido pela retirada das tropas apenas após ter sido assegurado por Erdogan que Ancara eliminaria os jihadistas remanescentes no país.

    A retirada das tropas dos EUA da Síria levantou a questão do destino das milícias curdas apoiadas pelos EUA na região, que são vistas pela vizinha Turquia como uma afiliada do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), listada como uma organização terrorista por Ancara.

    Turquia contra curdos

    Segundo Afandi, um dos temas mais delicados relacionados à retirada das tropas norte-americanas da Síria é a possível transferência das bases militares dos EUA. Forças turcas e militantes curdos são dois candidatos a herdá-las.

    "A decisão de Washington de retirar as tropas complica a situação na Síria porque basicamente atinge os turcos e os curdos. A questão mais sensível relacionada à retirada é o futuro das bases militares norte-americanas no norte da Síria, na fronteira com a Turquia. Três bases estão em Kobani, Rmelan e Sarrin — todos na fronteira com a Turquia. Quando as tropas partem, para quem vão entregar essas bases — para a Turquia ou para os curdos?" Afandi especula.

    Afandi indicou que tanto a Turquia quanto os curdos como potenciais herdeiros das bases militares dos EUA provavelmente criariam problemas para Washington na arena política.

    "Dar [bases militares] à Turquia basicamente significa entregá-la às mãos da oposição armada e, assim, desencadear confrontos com a Rússia, uma das fiadoras [do cessar-fogo sírio]. A doação aos curdos provocaria o confronto com a Turquia. Nada disso parece viável, por isso acho que os americanos deixarão algum contingente nessas bases do norte mesmo depois da retirada das tropas", continuou Afandi.

    Possíveis cenários

    No início de janeiro, a imprensa turca informou que Ancara alertou Washington contra a entrega de 22 bases militares dos EUA na Síria às forças curdas após a retirada das tropas.

    Pouco depois, o conselheiro de segurança nacional dos EUA, John Bolton, fez uma visita à Turquia, durante a qual foi levantada a questão da retirada das forças dos EUA da Síria. Bolton reiterou que Trump pediu ao líder turco Recep Tayyip Erdogan para ser particularmente cuidadoso com os curdos que estavam envolvidos na luta contra os terroristas na Síria com apoio dos Estados Unidos.

    "Em geral, isso agrava a situação, e poderia ter sido feito de propósito, porque os Estados Unidos não buscam o fim desse conflito", disse Afandi.

    Após o anúncio da retirada das tropas dos EUA, a liderança turca decidiu adiar sua planejada ofensiva contra os curdos no norte da Síria até a retirada completa das forças dos EUA. No entanto, o passo não trouxe Ancara e Washington para um consenso sobre a posição dos curdos dentro da campanha síria, com a liderança dos dois países trocando ameaças sobre os futuros desenvolvimentos na Síria. No caso mais recente, o presidente dos EUA prometeu "devastar a Turquia economicamente" se a Turquia atacar os curdos.

    Tags:
    Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Mahmoud Afandi, John Bolton, Donald Trump, Recep Tayyip Erdogan, Sarrin, Rmelan, Kobani, Ancara, Turquia, Síria, Washington, Rússia
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