17:43 19 Julho 2019
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    Membro do Talibã na província de Ghazni (arquivo)

    Irã mantém conversas com o Talibã afegão enquanto os EUA preparam a retirada de tropas

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    O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Shamkhani, anunciou em uma visita à capital afegã de Cabul que autoridades iranianas se reuniram com o Talibã afegão.

    O anúncio foi feito poucos dias depois do Talibã ter participado das negociações de paz nos Emirados Árabes Unidos com autoridades norte-americanas. Representantes dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Paquistão também estavam presentes. No entanto, os líderes do grupo se recusaram a se reunir com uma delegação oficial do Afeganistão.

    As observações de Shamkhani foram impressas por Tasnim, considerada próxima às forças armadas do Irã. Não está claro quando ou onde as negociações foram realizadas. 

    O assessor de segurança nacional do presidente do Afeganistão, Hamdullah Mohib, teria elogiado o Irã durante a reunião, classificando-o como um "pilar de estabilidade e segurança na região". O Irã e o Afeganistão compartilham uma fronteira de 940 quilômetros.

    O Irã tem tradicionalmente trabalhado contra o Talibã sunita e apoiado minorias xiitas no Afeganistão que estavam sendo perseguidos pelo regime afegão. Algumas autoridades norte-americanas e afegãs tentaram culpar Teerã nos últimos anos por apoiar o grupo, mas nenhuma evidência sólida apoiou a acusação.

    Os Estados Unidos têm lutado para tirar território dos militantes, que ganharam terreno significativo em 2018, apesar de uma campanha americana sem precedentes.

    Shamkhani também falou sobre a ameaça da presença do Daesh (grupo terrorista autodenominado Estado Islâmico) no Afeganistão, que é limitada, mas considerada uma ameaça. Ele ressaltou a necessidade de aliados regionais para combater o "plano sinistro patrocinado pelos EUA e reacionários regionais".

    O Talibã controlou 90% do Afeganistão em 2001, antes da invasão norte-americana. Depois de 17 anos, o grupo ainda mantém cerca de 50% do país e controla outros 13%, segundo a Fundação para a Defesa das Democracias, um centro de estudos sediado em Washington.

    "A presença das forças americanas foi desde o início, uma medida errada e ilógica e a causa primária de instabilidade e insegurança na região", teria dito no sábado Bahram Ghasemi, porta-voz do Ministério do Exterior do Paquistão. O chanceler paquistanês, Shah Mehmood Qureshi, também esteve em Teerã na segunda-feira para conversas bilaterais, embora os detalhes da reunião não tenham sido divulgados.

    Em novembro, a Rússia sediou conversas entre o Talibã e o Alto Conselho de Paz do Afeganistão, órgão que não representa o governo afegão, mas supervisiona os esforços de paz no país. Essa foi a primeira dessas negociações de paz em que o grupo militante participou. O general norte-americano John W. Nicholson, aposentando como oficial militar norte-americano no Afeganistão, acusou Moscou de apoiar e até armar o Talibã, mas a Rússia rejeitou a acusação.

    Durante as tratativas tanto nos Emirados Árabes Unidos quanto na Rússia, os líderes do Talibã se recusaram a negociar com Cabul, concordando apenas em trabalhar com os oficiais americanos apoiando-os no processo de paz.

    Na semana passada, oficiais do Departamento de Defesa dos EUA confirmaram que o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou a retirada de 7.000 soldados dos EUA do país, pouco menos da metade da presença norte-americana, que atualmente conta com 14.000 militares no Afeganistão.

    Tags:
    Departamento de Defesa dos EUA, Fundação para a Defesa das Democracias, Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Estado Islâmico, Daesh, Talibã, John W. Nicholson, Shah Mehmood Qureshi, Bahram Ghasemi, Ali Shamkhani, Hamdullah Mohib, Moscou, Cabul, Rússia, Washington, Irã, Paquistão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Afeganistão
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