20:46 13 Dezembro 2018
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    Um pôster do jornalista saudita Jamal Khashoggi, em uma barreira que bloqueia a estrada que leva ao consulado da Arábia Saudita em Istambul.

    Dissidente saudita processa firma de Israel que teria ajudado Riad a espionar Khashoggi

    © AP Photo / Emrah Gurel
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    Um ativista saudita que regularmente se correspondia com o jornalista assassinado Jamal Khashoggi processou uma empresa israelense de spyware. Ele alega que a empresa ajudou o governo saudita a investigar Khashoggi antes de seu assassinato.

    Na ação, o dissidente saudita de Montreal Omar Abdulaziz afirma que a empresa israelense Grupo NSO forneceu à Arábia Saudita um software poderoso que deu ao reino acesso às comunicações entre ele e Khashoggi.

    Como resultado, o governo da Arábia Saudita foi supostamente informado de um projeto em que o casal estava trabalhando — "cyber abelhas" — um movimento online de jovens que visa responsabilizar o Reino por "abusos dos direitos humanos".

    Em trocas de texto obtidas pela rede americana CNN, Khashoggi disse a Abdulaziz que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman era uma "besta" com um apetite insaciável pelo poder.

    "Quanto mais vítimas ele come, mais ele quer", teria dito Khashoggi em maio. "Eu não ficarei surpreso se a opressão atingir até mesmo aqueles que estão torcendo por ele."

    Segundo Abdulaziz, em agosto os dois homens começaram a suspeitar que suas conversas estavam sendo interceptadas e que o governo saudita estava ciente de seu projeto de oposição.

    "Deus nos ajude", escreveu Khashoggi a Abdulaziz. Dois meses depois, ele foi assassinado no consulado saudita em Istambul.

    O processo — que foi apresentado em Israel por advogados que representam Abdulaziz — está longe de ser o primeiro problema legal enfrentado pelo Grupo NSO. A empresa já recebeu alguns ternos de cidadãos do México e do Qatar, que afirmam que o software da empresa foi usado para hackear ilegalmente seus telefones. A Anistia Internacional também recentemente acusou a companhia israelense de ajudar o governo saudita a espionar seus funcionários.

    O Grupo NSO informou que seu software, conhecido como Pegasus, fornece aos governos e órgãos de segurança pública a capacidade de "lutar legalmente contra o terrorismo e o crime", informou o jornal The New York Times.

    O Pegasus também permite que os usuários escutem secretamente chamadas, gravem as teclas digitadas, leiam mensagens e rastreiam o histórico da Internet em um dispositivo móvel direcionado. O software é capaz de transformar o microfone e a câmera de um telefone em dispositivos de vigilância.

    Khashoggi foi assassinado em outubro no consulado saudita em Istambul. O assassinato do jornalista criou um escândalo internacional, com alguns afirmando que Salman poderia ter pessoalmente ordenado o ataque. A pressão internacional sobre o Ocidente para deter as vendas de armas e outros laços com o Reino tem sido amplamente combatida pelos Estados Unidos, Canadá, França e Reino Unido.

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    Tags:
    Pegasus, dissidente, violência, assassinato, espionagem, Grupo NSO, Omar Abdulaziz, Mohammed bin Salman, Jamal Khashoggi, Israel, Istambul, Turquia, Riad, Arábia Saudita
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