16:47 17 Dezembro 2018
Ouvir Rádio
    President Donald Trump shows a chart highlighting arms sales to Saudi Arabia during a meeting with Saudi Crown Prince Mohammed bin Salman in the Oval Office of the White House, Tuesday, March 20, 2018, in Washington

    EUA sempre fizeram vista grossa para a Arábia Saudita, afirma ex-agente da CIA

    © AP Photo / Evan Vucci
    Oriente Médio e África
    URL curta
    1050

    A Casa Branca está muito mais interessada em manter a estabilidade da Arábia Saudita do que puni-la pelo assassinato do jornalista dissidente Jamal Khashoggi, declarou o ex-agente da CIA Bob Baer.

    "Nós sempre fechamos os olhos para o que está acontecendo na Arábia Saudita — desde o início", disse Baer ao jornalista Jake Tapper, da CNN, na terça-feira.

     

    O ex-agente ressaltou que os laços estreitos entre as nações fazem Washington relutante em atacar o reino não apenas no que diz respeito ao caso Khashoggi, mas também nas questões de abusos de direitos humanos e na devastadora guerra liderada pelos sauditas no Iêmen.

    O jornalista dissidente e colaborador do jornal The Washington Post, Jamal Khashoggi, desapareceu no início de outubro depois que ele entrou no consulado saudita em Istambul. A Arábia Saudita alega que ele foi morto durante uma briga espontânea e prometeu investigar sua morte. As autoridades turcas, por sua vez, insistem que os sauditas enviaram um "esquadrão da morte" para assassinar o jornalista. Seu corpo ainda não foi localizado.

    O assassinato de Khashoggi provocou indignação internacional. O presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu que o reino enfrentará uma "punição severa" se de fato tiver feito um ataque ao jornalista. Os EUA, no entanto, optaram por manter os acordos de armas existentes com os sauditas e disseram que não acreditavam que a liderança do país estivesse por trás do fim do dissidente.

    Washington está mais interessado em manter a estabilidade da Arábia Saudita do que em buscar a verdade e criticar o príncipe herdeiro Mohammad bin Salman, argumentou Bob Baer. O reino permanece entre os principais compradores de armas fabricadas nos EUA e aliado estratégico de Washington na região.

    "A Arábia Saudita é um vulcão agora. Não temos jogadores do nosso lado [além de Salman]", avaliou Baer, ​​que agora é autor e comentarista. "O que preocupa a Casa Branca é que esse país pode explodir".

    De acordo com a recente reportagem do jornal The New York Times, a gravação em áudio do assassinato de Khashoggi, dada à CIA pela Turquia, revela como um membro da "equipe de matar" instruiu um superior a "contar ao seu chefe" sobre o sucesso da missão. Os oficiais de inteligência dos EUA acreditam que o "chefe" em questão é Salman, informou o jornal.

    Ao mesmo tempo, o conselheiro de segurança nacional de Trump, John Bolton, que não escutou a fita, sugeriu fortemente que "não foi a conclusão" que os policiais fizeram.

    Bob Baer achou difícil concordar com Bolton e observou que o príncipe herdeiro "está no controle" de todos os serviços de segurança sauditas. "Os sauditas não têm operações independentes — nunca. Isso nunca ocorreu".

    Mais:

    Trudeau confirma: inteligência canadense ouviu áudio de assassinato de Khashoggi
    Secretário de Estado dos EUA exige que Riad puna responsáveis por assassinato de Khashoggi
    Erdogan diz ter compartilhado gravações do assassinato de Khashoggi
    Tags:
    relações bilaterais, diplomacia, violência, queima de arquivo, assassinato, CIA, Casa Branca, Bob Baer, Donald Trump, Mohammad bin Salman, Jamal Khashoggi, Istambul, Turquia, Arábia Saudita, Estados Unidos
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik