11:28 19 Novembro 2018
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    Refinaria de petróleo ao sul de Teerã, capital do Irã

    Irã responde às sanções dos EUA com venda de petróleo na bolsa de valores

    © AP Photo / Vahid Salemi
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    Às vésperas de sofrer a segunda rodada de sanções impostas pelos EUA, o Irã iniciou negociações de contratos futuros de petróleo, oferecendo 1 milhão de barris de petróleo leve aos compradores no primeiro dia.

    A demanda foi de 350 mil barris, mas a bolsa indica que foram vendidos 280 mil barris, sendo 20% das transações realizadas em rials iranianos e 80% em moeda estrangeira. O preço médio da transação foi de US$ 74,85 (R$ 281,3) por barril. A data das entregas não foi especificada. As vantagens da bolsa de valores em termos de sanções são que os compradores finais podem comprar o petróleo através de corretores intermediários e não diretamente da Companhia Nacional Iraniana de Petróleo.

    Manouchehr Takin, especialista no setor de petróleo e gás, explicou à Sputnik Persa o quanto esse mecanismo de compra de petróleo do Irã pode funcionar a despeito das recentes sanções dos EUA.

    Takin observa que os compradores de petróleo iraniano na bolsa de valores podem enfrentar várias dificuldades e, em última análise, podem ficar sujeitos a sanções norte-americanas, já que todas as cargas e navios no golfo Pérsico são rastreados.

    "O transporte de petróleo é controlado a partir de satélite para que, em caso de surgirem circunstâncias imprevistas, seja possível rastear a posição do navio. Nos petroleiros também estão instalados instrumentos e dispositivos de navegação que ajudam a determinar a localização da embarcação. Assim, as autoridades dos EUA, buscando cortar as exportações de petróleo do Irã, estão rastreando o local da chegada dos petroleiros que partem de Khark. Surge uma pergunta: como os vendedores venderão o petróleo?", disse Takin.

    Segundo ele, se o petroleiro chegar à Índia, Malásia ou outro país e começar a descarregar o petróleo, os EUA pressionarão esses países para que não comprem petróleo iraniano, caso contrário, serão sujeitos a sanções dos EUA.

    "A China é um dos importadores do petróleo iraniano. Ela está pronta para comprar petróleo do Irã e não tem medo das sanções e ameaças dos EUA. No entanto, existe um problema, e esse problema – o perigo das sanções norte-americanas – afetará não apenas a Companhia Nacional Iraniana de Petróleo, mas também os compradores de petróleo iraniano", explica o analista.

    Para ele, outro problema para os compradores de petróleo do Irã na bolsa de valores será a questão das transações, dadas as sanções dos EUA contra o setor bancário iraniano.

    "Além disso, há o problema dos pagamentos […] A questão é como os compradores dos 280 mil barris de petróleo iraniano irão exportá-lo e como as transferências [de dinheiro] serão realizadas", concluiu.

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    Tags:
    pagamento, transações comerciais, bolsa de valores, petróleo, sanções, Golfo Pérsico, EUA, Irã
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