21:28 20 Julho 2018
Ouvir Rádio
    Sede da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), em Haia, na Holanda

    OPAQ politizada? Rússia e Síria questionam aumento de poderes da organização

    © AP Photo / Peter Dejong
    Oriente Médio e África
    URL curta
    280

    Os membros da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) aprovaram uma moção do Reino Unido expandindo o poder da organização, que agora pode atribuir responsabilidade sobre ataques com armas químicas.

    O Reino Unido pediu uma sessão especial ainda no final de Maio, apresentando a necessidade de defender o banimento global de armas químicas. A organização intergovernamental teve como principal motivo de sua fundação a verificação e aderência à Convenção sobre Armas Químicas.

    Moscou já afirmou que não reconhecerá a decisão, pois considera a medida um "forte golpe contra a convenção e a OPAQ", segundo afirmou nesta quinta-feira (29) o vice-ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Ryabok.

    Menos credibilidade

    Segundo o parlamentar suíço Emmanuel Kilchenmann, em entrevista à Sputnik, a decisão apoiada pelo Reino Unido e os Estados Unidos, da atribuição de maiores poderes ameaça a credibilidade da OPAQ e a transforma em uma ferramenta política.

    "Essas organizações neutras não deveriam ser utilizadas como ferramenta para a política. Nós vemos exatamente as intenções por trás desta proposta dos Estados Unidos e do Reino Unido. Esses aliados tentam o tempo todo usar algumas instituições para torná-los mais fortes em esforços para lhes garantir mais credibilidade em suas alegações. Elas deveriam permanecer neutras, objetivas, e não serem uma ferramenta da política", afirmou Kilchenmann.

    O representante da Rússia no OPAQ, Alexander Shulgin, disse que a atmosfera na sessão de quarta-feira era tensa e apontou que houve tentativas de chantagem sobre os aliados mais próximos da Rússia para que apoiassem a resolução.

    Apesar desses esforços, a China, a Índia, e a África do Sul apoiaram a rejeição russa sobre a moção.

    Durante a votação, Shulgin ressaltou que a posição da Rússia era de que o Conselho de Segurança da ONU é a única organização que pode impor sanções e atribuir responsabilidade a qualquer um pelo uso de aramas químicas.

    A politização da questão das armas químicas

    A sessão especial foi convocada em torno da polêmica criada por um suposto ataque químico na cidade síria de Douma, próxima a Damasco, em abril. O governo sírio negou com veemência que tenha tido alguma responsabilidade sobre esses ataques. No entanto, o Reino Unido, a França e os Estados Unidos lançaram dezenas de ataques aéreos em uma ação militar focada em destruir supostas fábricas de armas químicas em Damasco. 

    A ação foi comentada em diversas sessões do Conselho de Segurança, assim como o suposto ataque com armas químicas, sendo criticada principalmente pela Rússia e China.

    A delegação russa da OPAQ fez críticas aos métodos da organização em realizar as investigações do incidente e conclusões consideradas de pouca substância.

    Para Tarek Ahmad, representante Partido Social Nacionalista da Síria, os Estados ocidentais já estão utilizando as alegações de "armas químicas" contra o governo da Síria, portanto esta decisão seria a criação de uma solução conveniente para continuar a linha de atuação.

    "A questão das armas químicas é uma das armas nas mãos dos Estados ocidentais contra a Síria. É uma ferramenta fácil para colocar a culpa em alguém. Os aliados ocidentais tentam criar um novo mecanismo mais confortável que dará mais credibilidade à sua alegações infundadas", disse Ahmad.

    Mais Krydee, um representante da Frente Democrática da Síria, acredita que os novos poderes da OPAQ são parte de uma estratégia geral para pressionar a Rússia e a Síria.

    "Este é um jogo político destinado a pressionar os governos russo e sírio. É feito por aqueles que querem interferir na Síria, eles precisam de qualquer ocasião", disse Krydee à Sputnik.

    O chefe da delegação russa na sessão especial da OPAQ disse que a organização parecia dividida e seus membros ponderaram o futuro da OPAQ após a aprovação da moção.

    Mais:

    Palestina passa a ser Estado-membro da OPAQ
    OPAQ aponta uso de cloro na Síria, mas ex-embaixador britânico rebate relatório
    OPAQ quer exumar corpos em Douma para analisar suposto uso de armas químicas
    OPAQ confirma ausência de armas químicas em laboratório de Damasco
    OPAQ coleta amostras em Douma para investigar suposto ataque químico
    Inspetores de armas químicas da OPAQ chegam ao local de suposto ataque na Síria
    Moscou: terroristas impedem acesso da OPAQ à cidade síria de Douma
    Tags:
    Guerra da Síria, armas químicas, Conselho de Segurança da ONU, Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), ONU, Emmanuel Kilchenmann, Alexander Shulgin, Mais Krydee, Tarek Ahmad, Estados Unidos, França, Damasco, Índia, China, África do Sul, Síria
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik