01:32 13 Dezembro 2018
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    Combatentes do Talibã (foto de arquivo)

    Talibã avança no Afeganistão apesar dos bombardeios dos EUA

    © AP Photo / Allauddin Khan
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    Um importante comandante afegão disse que 77 mil militantes do Talibã estão combatendo o governo do país - mais que o dobro das estimativas de autoridades dos EUA e do Afeganistão sobre a força dos insurgentes.

    O aparente surto de militantes, embora refutado por alguns, também coloca em cheque a campanha de bombardeio dos EUA, que ampliou seu escopo desde março, informou Sputnik News.

    "Está provado que 77.500 inimigos, dos quais 5.000 são combatentes estrangeiros e 3.000 são militantes do Daesh, estão realizando atividades contra a paz e estabilidade de nosso país", disse o general afegão Laal Jan Zaheer ao site Tolo News em 11 de junho.

    A Resolute Support Mission da OTAN, no âmbito da qual os Estados Unidos operam no país, informou em janeiro que a determinação do número das forças do Talibã no Afeganistão é limitada a "avaliações informais e conjecturas, já que não há rastreamento formal ou um mecanismo de censo".

    Em setembro de 2017, o Inspetor-Geral Especial para Reconstrução do Afeganistão (SIGAR) dos EUA observou que "havia entre 25.000 e 35.000 combatentes do Talibã no Afeganistão no final do trimestre".

    No entanto, estimativas mais recentes, embora não oficiais, aproximam-se do enorme número 77.500 de Zaheer. Sputnik News noticiou em fevereiro que alguns oficiais militares dos EUA e do Afeganistão estavam avaliando a força do Talibã em pelo menos 60 mil.

    No mesmo mês, Dawlat Waziri, então porta-voz do Ministério da Defesa do Afeganistão, disse ao site Stars & Stripes que entre 40 mil e 60 mil talibãs estão "sempre ativos" no país.

    De acordo com um relatório de 1º de maio do SIGAR, os insurgentes controlaram, influenciaram ou contestaram 43,7% do país.

    Em um discurso na sede da OTAN em Bruxelas na sexta-feira, o principal comandante dos EUA no Afeganistão, o general John Nicholson, declarou: "Os talibãs não estão mais lutando para ganhar novos territórios no Afeganistão. Eles estão lutando para infligir baixas e chamar atenção. Estão lutando para melhorar sua posição de barganha".

    Mas no dia 12 de junho, não foi isso que aconteceu. Na província de Faryab, militantes invadiram o distrito de Kohistan e mataram seu governador, Abdul Rahman Panah, e mais de uma dúzia de soldados. Faryab foi contestada por mais de um ano e o Talibã reivindicou a responsabilidade por essa ofensiva, junto com outra na província de Sar-e Pul, que levou a vida de mais de uma dúzia de forças de segurança durante a noite.

    Cinco oficiais de segurança também foram mortos terça-feira por um homem-bomba na província de Ghazni, no leste do país, no entanto, o Talibã não assumiu o atentado. Um porta-voz do governador de Ghazni, no entanto, culpou o grupo.

    As incursões aconteceram apesar de um acordo de cessar-fogo entre o grupo insurgente e o governo afegão que aconteceria durante o feriado muçulmano de Eid al-Fitr (14 e 15 de junho), que celebra o fim do jejum do Ramadã, informou Sputnik News. O governo afegão anunciou no sábado um cessar-fogo que durou entre 12 a 20 de junho. Os insurgentes disseram que o cessar-fogo não incluiria forças estrangeiras, inclusive americanas.

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