16:05 21 Maio 2018
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    Lançamento de um míssil balístico pelo Irã

    'EUA querem mudança de regime ao estilo iraquiano no Irã', afirma especialista

    © AP Photo / Amir Kholousi
    Oriente Médio e África
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    A retirada dos EUA do acordo nuclear com Teerã na terça-feira é o primeiro passo do plano americano para uma mudança de regime no Irã, seguindo o plano realizado há anos contra o Iraque, avaliou Sami Ramadani, especialista em Oriente Médio.

    "Se alguém escuta atentamente o que [o presidente Donald] Trump estava dizendo, realmente, os EUA não estão apenas se retirando unilateralmente deste acordo internacional multilateral — mas também estão ameaçando uma mudança de regime no Irã", afirmou Ramadani à RT.

    "O tom do discurso [de Trump], as palavras que ele usou são reminiscentes do discurso de George Bush Jr. antes da invasão liderada pelos EUA em 2003, quando mentiras foram usadas para lançar uma guerra genocida contra o povo do Iraque", continuou.

    O especialista observou que não só o regime iraquiano foi derrubado devido ao envolvimento militar dos EUA, mas todo o país foi "destruído". Os EUA vêm tentando desestabilizar o Irã há décadas, prosseguiu.

    Washington quer muito mais de Teerã do que concessões em relação ao acordo nuclear, algo que as autoridades iranianas não podem fornecer devido a uma forte insatisfação com o acordo atual, disse Ramadani.

    "Eu não acho que o Irã seja capaz de fazer mais concessões — eles disseram que nunca planejaram desenvolver armas nucleares — e sua conformidade com o acordo foi confirmada pela AIEA em diversas ocasiões", acrescentou.

    "O que os EUA querem do Irã é abandonar sua independência. Essa é a linha de fundo […] Eles não querem nenhuma nação independente e forte no mundo, especialmente no Oriente Médio. E — independentemente do que pensamos do seu sistema político —, o Irã escolheu o caminho da independência dos EUA. Eles não querem ser um lacaio da política dos EUA na região. E os EUA estão dizendo a eles: 'Nós vamos punir você por isso'", explicou.

    Também à RT, o jornalista Max Blumenthal afirmou que Israel está por trás da decisão de Trump de desistir do acordo nuclear com Teerã.

    "A influência israelense é absolutamente fundamental aqui. Pelo menos Trump ficou do lado do estilo de apresentação de Netanyahu para justificar a retirada do acordo com o Irã e sua nova política de reversão", pontuou.

    No final de abril, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu fez uma apresentação em PowerPoint, supostamente revelando informações de Israel sobre a não conformidade do Irã com o acordo. A apresentação, no entanto, soou oca de acordo com Blumenthal.

    "É outro golpe de inteligência que nos leva à guerra", declarou, chamando a inteligência citada por Netanyahu "indiscutivelmente fabricada". Blumenthal acrescentou que nada de novo foi apresentado e que "grande parte da inteligência" parece estar "cozida" e decorre do início dos anos 2000.

    Na terça-feira, Trump anunciou que Washington "se retiraria do acordo nuclear com o Irã" e que sanções seriam impostas ao país. O presidente dos EUA explicou sua decisão dizendo que o Plano de Ação Integral Conjunto (JCPOA) não impediu Teerã do enriquecimento de urânio, e colocou o Oriente Médio no caminho de uma corrida armamentista nuclear.

    O presidente iraniano, Hassan Rouhani, criticou a decisão de Trump como "ilegal e ilegítima", prometendo que Teerã permanecerá no acordo apesar da retirada dos EUA.

    O acordo da JCPOA, assinado por potências do Irã e P5 + 1 (China, França, Rússia, Reino Unido, EUA e Alemanha) em 2015, após anos de negociações, resultou em sanções internacionais contra Teerã em troca do Irã reprimir seu polêmico programa nuclear.

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    Tags:
    golpe, diplomacia, acordo nuclear, JCPOA, Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Benjamin Netanyahu, George W. Bush, Hassan Rouhani, Max Blumenthal, Donald Trump, Sami Ramadani, Estados Unidos, Iraque, Irã
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