08:05 23 Outubro 2019
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    Soldados do exército sírio em seus caminhões militares gritando lemas em apoio ao presidente sírio Bashar Assad, entrando em uma aldeia perto da cidade de Jisr al-Shughour, ao norte de Damasco, Síria (Arquivo)

    Mídia: rebeldes 'anti-Daesh' treinados pela Noruega se viram contra Assad

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    Os "rebeldes" sírios treinados pela Noruega para combater o Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em outros países) agora estão direcionando suas armas contra o governo sírio. O líder dos rebeldes não nega que o desejo de derrubar Bashar Assad é o objetivo principal.

    A milícia síria treinada pela Noruega, denominada Exército do Comando Revolucionário (MaT), com objetivo de ajudar a derrotar o Daesh, está agora travando uma guerra contra as forças sírias favoráveis ao governo, reporta o jornal norueguês Klassekampen.

    Segundo o jornal, o grupo rebelde está lutando agora abertamente por uma mudança de regime na Síria, além de ser uma parte importante dos esforços dos EUA para evitar a influência iraniana na região. 

    Em maio de 2016, foi anunciado que soldados noruegueses seriam enviados para o país vizinho da Síria, a Jordânia, para fornecer "treinamento, aconselhamento e apoio operacional" aos grupos paramilitares sírios que combatem o Daesh, como parte da Operação Resolução Inerente, liderada pelos EUA. Em junho de 2016, o parlamento norueguês aprovou missões similares na própria Síria. 

    Enquanto a contribuição da Noruega na Síria foi formalmente concluída em março deste ano, após o fim formal do mandato, a natureza e extensão exata do envolvimento da Noruega foram mantidas em segredo. O comandante do MaT, Muhannad al-Talla, confirmou para o jornal norueguês que seu grupo foi treinado por noruegueses em Al-Tanf, no sudeste da Síria, onde os EUA têm uma base. 

    Embora a primeira-ministra Erna Solberg e a então ministra da Defesa norueguesa Ine Eriksen Soreide tenham enfatizado que o mandato era para combater o Daesh, garantindo que isso "não colocará em perigo o processo de paz", al-Talla disse que seus aliados ocidentais nunca esconderam que seus soldados estavam combatendo contra os terroristas e o governo sírio.

    "Desde o início eu estava completamente ciente de que estava combatendo o 'Estado Islâmico' e as forças de al-Assad. [O Daesh] estava claramente enfraquecido. Agora a prioridade é lutar contra Assad", admitiu al-Talla ao Klassekampen.

    A base de al-Tanf é um posto estratégico ao longo da principal rota entre Damasco e Bagdá. Os EUA criaram a chamada zona de segurança de 55 quilômetros quadrados protegida por soldados norte-americanos com ajuda das unidades de al-Talla. 

    Dentro da zona, as tropas aliadas a Assad foram bombardeadas pelo menos duas vezes por aeronaves de combate dos EUA. Ao mesmo tempo, vários grupos rebeldes, inclusive o MaT, participaram na ofensiva contra as forças governamentais depois da retirada do Daesh do leste da Síria. 

    O porta-voz e o conselheiro do Exército Livre da Síria, Ibrahim al-Idlibi, confirmou para o Klassekampen que a "milícia" treinada pela Noruega participou do combate contra as forças associadas a Assad, como a operação "O País é Nosso" ocorrida em maio e junho de 2017. 

    Embora o governo da Síria tenha conseguido retomar a maior parte do território do país do Daesh e de vários grupos rebeldes, o líder do MaT, Muhannad al-Talla, não está pronto a depor as armas. 

    "É verdade que o atual equilíbrio do poder favorece Assad. Mas nunca lhe permitiremos ter paz. Mesmo se ele vencer a guerra, continuaremos tornando sua vida infeliz", prometeu al-Talla.

    Segundo o jornal Klassekampen, o MaT e outros grupos paramilitares apoiados pelo Ocidente fazem parte de um jogo das superpotências, em que os EUA buscam a garantir o controle da fronteira entre a Síria e o Irã para impedir a extensão da influência iraniana na região.  

    De acordo com al-Idlibi, o objetivo do MaT e dos grupos rebeldes similares é "combater os grupos iranianos e xiitas" na região.  Ele também prometeu que a luta continuará "até que a missão esteja cumprida". 

    "No momento, o objetivo é controlar a rota principal entre Damasco e Bagdá. Assim, impedimos a expansão das forças iranianas entre a Síria e o Iraque através do deserto", observou. 

    Tanto Muhannad al-Talla, como o Ministério da Defesa da Noruega negaram a participação dos noruegueses na luta contra o governo sírio e seus aliados. A Noruega encerrou formalmente a sua missão na Síria com a decisão de se focar no Iraque.

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    Tags:
    milícia, treinamento militar, mudança de regime, rebeldes, Exército Livre da Síria, Ine Marie Eriksen Soreide, Erna Solberg, Bashar Assad, Bagdá, Damasco, Iraque, Irã, Noruega, EUA, Síria
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