17:43 22 Julho 2018
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    Pessoas marcham em Gana contra acordo militar com os EUA

    'Gana não está à venda': milhares protestam contra acordo militar com EUA

    © REUTERS / Francis Kokoroko
    Oriente Médio e África
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    Nesta quarta-feira (28) milhares de ganeses saíram às ruas da capital do país, Acra, para protestar contra o acordo de cooperação militar com os EUA que as autoridades do país aprovaram na semana passada.

    No âmbito do acordo, prevê-se que Washington vai investir aproximadamente US$ 20 milhões em treinamento e equipamento militar para as Forças Armadas do país africano, informou a edição New York Times.

    Em meio às manifestações maciças na capital ganesa as pessoas estão denunciando as ações das autoridades do país, bem como do presidente norte-americano, Donald Trump. Os cartazes mostrados pelos manifestantes dizem: "Gana não está à venda", "Trump, retire suas bases militares" e "Gana vale mais que US$ 20 milhões".

    De acordo com a polícia, das manifestações participaram cerca de 3,5 mil pessoas. Alguns participantes se expressaram preocupados quanto à crescente expansão militar dos EUA em Gana e mais além. "Como cidadão que pensa corretamente, estou aqui para lutar por meu país. Sou contra a venda da nossa paz e segurança por US$ 20 milhões", afirmou um deles, Gifty Yankson, comerciante de 49 anos, à Africa News.

    "Eles [militares dos EUA] se tornam uma maldição em todos os lugares onde estão, e eu não estou pronto para hipotecar minha segurança", acrescentou o homem. Embora agentes da polícia de choque estivessem presentes no local, nenhuma violência foi relatada.

    O acordo, aprovado pelo presidente ganês Nana Akufo-Addo na sexta-feira passada (23), tem sido fortemente criticado pela oposição, que votou contra o acordo e insistiu que se tratou de um golpe contra a soberania do país.

    O acordo contém vários pontos "duvidosos", em particular, sobre a possibilidade de utilização dos aeroportos ganeses pela Força Aérea dos EUA ou sobre possível instalação de um contingente militar norte-americano no país.

    A embaixada dos EUA em Gana afirmou que Washington "não solicitou, nem pretende instalar uma base militar ou bases" no país africano. Os exercícios conjuntos agendados para este ano "requerem acesso a bases ganesas pelos participantes dos EUA e de outras nações", adicionou a embaixada.

    Protestos semelhantes contra a presença militar dos EUA ocorreram em locais diferentes por todo o mundo. A ilha japonesa de Okinawa é um dos locais mais ativos de protestos antiamericanos. Nos últimos anos, manifestações contra a expansão militar dos EUA ocorreram na Itália e na República Tcheca.

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    Tags:
    expansão, protestos, acordo, Gana, EUA
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