02:45 19 Novembro 2018
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    Militares americanos no Iraque, foto de arquivo

    Opinião: China derruba EUA na luta pelo petróleo iraquiano

    © AP Photo / Jim MacMillan
    Oriente Médio e África
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    Depois da intervenção dos EUA e do Reino Unido no Iraque, a China se tornou o maior país importador do petróleo iraquiano. Analistas explicam por que os planos dos EUA de tomar o controle sob a indústria petrolífera do Iraque falharam.

    Há 15 anos, exatamente no dia 20 de março de 2002, a coalizão liderada pelos EUA iniciou operação militar contra o Iraque, denominada "Liberdade do Iraque". A intervenção no Iraque se tornou um erro estratégico do então presidente dos EUA George W. Bush, opinou para a Sputnik Zhang Deguang, ex-chanceler chinês.

    "Bush cometeu um grande erro estratégico. As tropas invadiram o Iraque sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU, o que é inaceitável. Hoje, muitos especialistas norte-americanos, incluindo os antigos companheiros de Bush, como, por exemplo, Tony Blair [ex-primeiro-ministro britânico], reconhecem o erro. Trata-se das informações erradas de que Saddam Hussein [ex-presidente do Iraque] tinha armas de destruição em massa. Baseando-se nesta mentira, eles lançaram sua agressão, ou seja, ocuparam o Iraque", explicou ele à Sputnik China.

    Presidente turco Recep Tayyip Erdogan fala durante a reunião com investidores internacionais no Palácio presidencial em Ancara, Turquia, 2 de agosto de 2016
    © AFP 2018 / KAYHAN OZER / Serviço público do presidente turco
    Um dos objetivos dos EUA no Iraque eram as reservas de petróleo iraquianos. Os norte-americanos queriam tomar controle da produção e exportação, além de desejarem limitar acesso ao petróleo para seus concorrentes no mercado mundial, especialmente para a China. Depois, eles estabelecem o mesmo objetivo tanto na Síria como na Líbia. 

    Entretanto, o plano dos EUA no Iraque não deu certo. Além disso, a China se tornou o maior país comprador de petróleo iraquiano. Pequim importa mais da metade do volume de petróleo, produzido no Iraque. 

    Para o Iraque, a China á uma boa parceira, porque Pequim não intervém nos assuntos internos do país, afirmou o cientista político russo Igor Chatrov.

    "Pequim possui apenas interesses econômicos. E assim, suas empresas petrolíferas entram mais facilmente em outros países. Oferecem condições favoráveis, não perseguem elevadas margens de lucro", revelou.

    Segundo Ji Kaiyun, pesquisador do Centro de estudos iraquianos da Universidade do Sudoeste da China, Pequim conseguiu transformar os desafios da guerra dos EUA no Iraque na força motriz para o desenvolvimento das relações sino-iraquianas. Apesar de todos os riscos, os chineses investiram na economia iraquiana, em sua recuperação pós-guerra.

    O especialista em ciências políticas, Boris Dolgov, declarou que as relações entre a China e o Iraque são mutuamente vantajosas. 

    "As empresas chinesas participam do desenvolvimento do setor petrolífero iraquiano, promovem investimentos chineses na região, bem como seus interesses financeiros e políticos. Essa política traz vantagens para a China. Os EUA não podem impedir o aumento da presença chinesa na região, embora tentem estabelecer sua presença na zona através da força", sublinhou.

    Segundo os especialistas, a mesma situação terá lugar na Síria. Há possibilidade de a China reforçar sua diplomacia econômica no país: o capital chinês pode conquistar novos nichos no mercado sírio.

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    Tags:
    relações bilaterais, petróleo, guerra, China, EUA, Iraque
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