01:48 16 Julho 2018
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    Uma foto tirada em 28 de fevereiro de 2018 mostra as chamas após um ataque em al-Shaffuniyah, no enclave de Ghouta Oriental nos arredores da capital síria, Damasco.

    Analista: Há evidências de uso de gás sarin pela Frente al-Nusra na Síria

    © AFP 2018 / Ammar Suleiman
    Oriente Médio e África
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    Acusando o governo sírio de usar armas químicas outra vez, o diretor de Inteligência Nacional dos EUA, Dan Coats, anunciou recentemente que Washington considera a possibilidade de lançar novos ataques contra a Síria. A Sputnik conversou com professor sênior na Universidade de Sydney, Tim Anderson para falar sobre as reais intenções dos americanos.

    Sputnik: Na sua opinião, qual a chance dos EUA atacar a Síria novamente?

    Dr. Tim Anderson: Bem, isso é imprevisível porque os raciocínios continuam mudando e o compromisso dos EUA com esta guerra é incerto no momento porque estão constantemente perdendo nos últimos dois anos. Esse tipo de ameaças, porém, tornou-se bastante rotineiro.

    Pode soar um pouco diferente porque temos um novo porta-voz da inteligência aqui nomeado pelo presidente Trump no ano passado, mas ele esteve no seu comitê de inteligência desde o início do conflito, então ele é realmente parte desta guerra. Mas é uma repetição do que vimos várias vezes antes.

    Sputnik: No ano passado, quando o presidente Trump ordenou ataques à Síria, o mundo teve uma reação muito negativa. Que repercussões [um novo ataque] poderia trazer para o governo sírio e como isso interferiria no processo de paz do país?

    Dr. Tim Anderson: De certa forma, [a retórica de Washington] está em um nível alto, porque eles estão ficando sem opções e realmente perderam por algum tempo, como eu disse.

    Lembre-se de que a inteligência americana disse seis anos atrás, que sabia onde os extremistas estavam na insurgência e o que é exatamente eles queriam. Apenas algumas semanas atrás, o secretário de Defesa, Mattis, disse eles não tinham nenhuma evidência direta do uso de gás sarin na Síria.

    No entanto, sabemos por evidências independentes de que [um membro da] al-Nusra* foi preso na Turquia com gás sarin e que a ONU investigou o uso de gás sarin no início de 2013. Então, se você observar os fatos, a evidência independente mostra que grupos ligados à al-Qaeda usaram gás sarin, não o governo sírio. Mas isso não impede os EUA de manter usando essa retórica para tentar aquecer as coisas e tentar minar as possibilidades de um acordo político.

    Sputnik: Quais serão os próximos passos para o processo de paz sírio do seu ponto de vista?

    Dr. Tim Anderson: As soluções militares locais no terreno, em muitos aspectos, foram muito importantes, assim como a reconciliação. Não esqueçamos que, desde 2012, houve esse processo de tentar reintegrar combatentes que não tinham as mãos sujas de sangue, que não estavam diretamente envolvidos em assassinatos. Pessoas que ajudaram esses grupos ou aqueles que foram comprados com dinheiro saudita e assim por diante, algo em torno de dez mil pessoas. 

    Houve algum progresso dentro do país negociações em Sochi (Rússia) recentemente após as conversas de Astana, nas quais um número significativo de grupos de oposição interna e externa concordaram com o estado do quadro político e com uma nova constituição.

    Eu acho que os EUA estão realmente chateados com o fato de não ter uma opinião nisso (…) e talvez provocações recentes tenham tentado minar o fato de que, não apenas no nível militar, mas a nível diplomático e político, há movimento para uma resolução [do conflito].

    Tags:
    armas químicas, gás sarin, Inteligência Nacional dos EUA, ONU, Al-Qaeda, Frente al-Nusra, Tim Anderson, Dan Coats, James Mattis, Washington, Estados Unidos, Síria
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