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    Soldados israelenses realizam exercícios na parte setentrional das Colinas de Golã, 13 de setembro de 2016

    Quais são as razões reais dos ataques aéreos de Israel contra Síria?

    © AFP 2018 / JALAA MAREY
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    As razões publicamente declaradas pelas autoridades israelenses não são o motivo real da escalada dos ataques aéreos israelenses e operações de combate terrestre na Síria, afirmou o historiador e periodista norte-americano Gareth Porter, em seu artigo no portal Antiwar.

    Em 10 de fevereiro, as Forças de Defesa de Israel (IDF) levaram a cabo uma das operações mais agressivas de sempre na Síria. Através de bombardeamento de vários "alvos iranianos" em resposta a uma suposta incursão de um drone iraniano, Israel retaliou e, após o derrube de um dos seus aviões de combate, atacou 12 alvos, incluindo três sistemas antiaéreos e "quatro instalações que fazem parte da presença do Irã na Síria".

    Porter lembrou que Israel tem estado preparando o terreno político para uma escalada militar na Síria desde meados de 2017. Nessa altura, as autoridades israelenses começaram a repetir dois temas políticos relacionados entre si: que se deve impedir que o Irã estabeleça bases permanentes e implante as suas forças nas Colinas de Golã sírias, e que o Irã construa fábricas secretas na Síria e no Líbano para fornecer ao Hezbollah mísseis de precisão.

    Entretanto, o autor observa que não há prova alguma de que haja fábricas de armas iranianas no Líbano ou na Síria.

    O analista está certo de que estes pretextos não têm nada a ver com as razões reais da escalada dos ataques israelenses na Síria.

    "As razões declaradas publicamente pelas autoridades israelenses não são o motivo real da escalada dos ataques aéreos israelenses e operações de combate terrestre na Síria", sublinhou ele.

    Segundo o analista, Israel teme que os movimentos recentes na Síria ameacem a ocupação israelense nas Colinas de Golã. Gadi Eizenkot, chefe do Estado-Maior das IDF, declarou em janeiro que Israel "não pode ignorar o fato de que o Hezbollah, as milícias xiitas e o Irã se consideram vencedores na Síria, juntamente com Bashar Assad [presidente sírio], e partilham o desejo de retornar às Colinas de Golã".

    "As autoridades israelenses expressaram sua intenção de estabelecer o controle sobre a chamada 'zona segura', que cobre grande parte das Colinas de Golã sírias. Sem dúvida, essa zona exigirá um número crescente de operações militares israelenses para fazer retroceder os sírios e xiitas nessa zona", comentou Porter.

    Além disso, "as ambições israelenses não se limitam às Colinas de Golã sírias", acrescentou ele. A IDF está determinada a penetrar mais profundamente na Síria para limitar as ações do Irã e do Hezbollah.

    Segundo Eizenkot, o objetivo militar de longo prazo é “empurrar os iranianos de volta ao Irã”. Mais concretamente, as autoridades israelenses se comprometeram a impedir que o Irã estabeleça um corredor terrestre conectando Teerã com o Líbano e Mediterrâneo através do Iraque e da Síria, explicou o jornalista.

    Esse objetivo já levou a pelo menos 100 ataques aéreos israelenses contra centenas de alvos na Síria desde janeiro de 2013, sublinhou o autor.

    De acordo com o especialista, "os altos funcionários israelenses se recusam a reconhecer que o objetivo do Irã de desenvolver e melhorar a potência dos mísseis do Hezbollah está sempre relacionado com a dissuasão de um ataque militar de Israel ou dos EUA contra o Irã ou de um ataque israelense contra o Hezbollah". Segundo Porter, as autoridades iranianas começaram a fornecer mísseis ao Hezbollah para reforçar a sua própria capacidade de dissuasão.

    "Embora Israel nunca o admita oficialmente, o Hezbollah estabeleceu uma paz relativamente estável com Israel durante mais de uma década, construindo um arsenal de mísseis potente”, opinou o autor.

    Ele citou Seth Cropsey, do Instituto Hudson, que reconhece que "o Hezbollah é a única força que enfrenta Israel e que provoca um impasse operacional e estratégico com as FDI".

    A guerra que Israel está planejando na Síria é, pelo menos em parte, uma resposta à sua incapacidade de utilizar a força contra o Hezbollah no Líbano, concluiu ele.

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    Tags:
    conflito armado, Hezbollah, Irã, Israel, Síria
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