21:55 22 Julho 2019
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    Cidade do Cabo, África do Sul

    1ª cidade no mundo com chances de ficar sem água faz de tudo para evitar catástrofe

    © AP Photo / Schalk van Zuydam
    Oriente Médio e África
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    Devido a um severo regime de racionamento de água junto com a generosidade de agricultores, a Cidade do Cabo pode adiar o "Dia Zero" — momento em que se espera que o encanamento da capital sul-africana possa ficar sem água, como consequência de severas secas que atacaram a região, comunicou a agência Reuters.

    Em um esforço conjunto de 4 milhões de habitantes da cidade, a capital sul-africana anunciou na semana passada o adiamento do "Dia Zero" de 4 de junho a 9 de julho, graças a uma drástica diminuição no consumo de água. Também contribuiu de maneira positiva a liberação de 10 bilhões de litros de água dos reservatórios privados da Associação de Agricultores da Groelândia.

    Devido às severas secas que afetaram principalmente as regiões do sul e do oeste, inclusive a Cidade do Cabo, a África do Sul não tinha outra opção a não ser declarar estado de calamidade pública e desastre nacional, o que resultou em um enorme gasto de dinheiro e recursos para lidar com a crise.

    Com cerca de dois milhões de turistas por ano, a Cidade do Cabo busca fortalecer sua capacidade de adaptação à medida que os efeitos das mudanças climáticas a afetam, como ocorre em outras cidades secas, como Melbourne (Austrália) e alguns povoados da Califórnia (EUA).

    "Sabemos que enquanto tivermos que passar por tempos difíceis, vamos construir uma economia verde de nível superior, que será o farol da esperança para muitos lugares", assinalou Tim Harris, chefe-executivo de Wesgro, uma agência de turismo regional.

    Segundo afirmaram anteriormente fontes oficiais, a seca crônica está afetando no número de turistas que visitam a cidade, prejudicando assim fortemente à economia sul-africana.

    Nos últimos três anos, de acordo com o Serviço Meteorológico da África do Sul, houve duas das temporadas mais secas registradas desde 1921, quando foram iniciadas medições meteorológicas da cidade. A primeira ocorreu em 2015, com um total de apenas 549 mm de precipitação, e no ano passado — recorde absoluto, com precipitação anual de apenas 499 mm.

    Diante de impostos punitivos e restrições severas, nos últimos três anos a crise da água forçou os habitantes da Cidade do Cabo a reduzirem seu consumo em mais da metade. Atualmente, o consumo individual diário é limitado a 50 litros. 

    "Todos nós devemos fazer absolutamente tudo o que está em nosso alcance para alcançar as metas propostas pelo departamento nacional para reduzir o consumo urbano em 45%", afirmou Ian Neilson, vice-prefeito da cidade.

    Em resposta ao problema, já foi planejada a construção de várias usinas de dessalinização, que juntamente com as reservas subterrâneas de água, poderiam aumentar futuramente os recursos hídricos.

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    Tags:
    medidas, água, crise, seca, Cidade do Cabo, África do Sul
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