08:51 19 Outubro 2018
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    Símbolo de risco de radiação (foto de arquivo)

    Argélia: testes nucleares da França de 1960 continuam matando pessoas

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    Oriente Médio e África
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    Em 13 de fevereiro de 1960, a França realizou no sul da Argélia ainda colonizada, o primeiro teste nuclear. Segundo as estatísticas, durante seis anos após a data do primeiro experimento, ocorreram 17 explosões nucleares. Cientistas locais afirmam que a poluição radioativa causa mutações genéticas e mudanças irreparáveis em todos os seres vivos.

    O atual presidente da França, Emmanuel Macron
    © REUTERS / Gonzalo Fuentes
    Até hoje não há dados oficiais sobre o número de vítimas afetadas pelos testes. Três anos atrás, o Ministério da Defesa francês afirmou que o número de vítimas das explosões foi de 27 mil pessoas, incluindo soldados franceses e civis argelinos.

    No entanto, os dados desconsideram os descendentes das pessoas infectadas que morreram de câncer e outras doenças provocadas pela radiação. Assim, os cálculos de um representante da igreja francesa indicam 42 mil vítimas e as áreas contaminadas continuam apresentando ameaça para saúde e vida das pessoas.

    O engenheiro nuclear argelino Ammar Mansuri, disse em entrevista à edição Al-Araby al-Jadeed que na verdade houve mais testes nucleares na Argélia.

    "A França realizou 13 testes subterrâneos, 4 terrestres, 4 testes com plutônio e outros 35 experimentos", afirmou.

    De acordo com o especialista, os documentos sobre os ensaios foram entregues ao governo argelino há apenas 10 anos, mas parte destes permanece secreta. Por essa razão não houve observações sistemáticas na região contaminada de Reggane nem foram tomadas medidas para reduzir o nível da radiação e sua influência na natureza.

    Segundo declara o governo da Argélia, o território contaminado compreende uma área de aproximadamente 100 quilômetros quadrados. No entanto, os problemas vão além desta zona deserta, pois os ventos espalham partículas radioativas para territórios limpos.

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    Tags:
    testes nucleares, doença genética, radiação, vítimas, Argélia, África, França
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