01:00 19 Novembro 2018
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    Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante a coletiva de imprensa em Bruxelas no âmbito de sua visita a países da União Europeia, 11 de dezembro de 2017

    Israel segue os passos dos EUA e abandona a UNESCO após 'ataques'

    © REUTERS / Francois Lenoir
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    Seguindo os passos dos EUA, Israel anunciou sua saída da UNESCO, citando "ataques" da organização. A decisão ocorre depois que 128 membros da ONU votaram para rejeitar o reconhecimento feito pelos EUA de Jerusalém como capital de Israel.

    A decisão foi baseada nas "tentativas da agência da ONU de desconectar a história judaica da terra de Israel", disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Emmanuel Nahshon. Ele acrescentou que a carta oficial de retirada será apresentada até o final do ano e que Israel deixará efetivamente a organização até o final de 2018.

    O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, encarregou o enviado de Israel à UNESCO, Carmel Shama-Hacohen, de anunciar oficialmente a retirada, informou o jornal israelense Haaretz.

    Ao fazê-lo, Tel Aviv se junta a Washington, que anunciou em outubro que deixará a UNESCO devido ao seu "viés anti-Israel contínuo" e "a necessidade de reformas fundamentais na organização". Segundo o Haaretz, Netanyahu tomou a decisão após uma série de discussões centradas em torno do desejo de Israel de não deixar os EUA isolados no movimento.

    De acordo com os regulamentos da UNESCO, a saída de um Estado membro entra em vigor em 31 de dezembro do ano após a apresentação da carta de intenção oficial. Mesmo que os EUA tenham feito seu anúncio oficial no início de outubro, ambos os países deixarão a agência ao mesmo tempo.

    O anúncio de Israel ocorre depois que 128 Estados membros da ONU votaram nesta quinta-feira na Assembleia Geral para rejeitar o reconhecimento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de Jerusalém como a capital de Israel. Nove Estados votaram ao lado de Washington e Tel Aviv e 35 nações se abstiveram.

    Comentando a votação, iniciada por vários países árabes e muçulmanos, Netanyahu disse que apreciou que "um número crescente de países se recusou a participar deste teatro do absurdo". Ele também agradeceu a Trump e a enviado dos EUA à ONU, Nikki Haley, "por sua firme defesa de Israel e sua firme defesa da verdade".

    O relacionamento de Israel com a UNESCO tem se deteriorado desde outubro de 2016. Tel Aviv suspendeu os laços com a organização depois de um projeto de resolução ter observado a importância de Jerusalém para três religiões mundiais — cristianismo, judaísmo e islamismo — mas não fez referência a por que a cidade é significativa para os cristãos ou judeus.

    "Apenas retirar-se, deixar o campo [da UNESCO] para outros não é aceitável para muitos israelenses que também não pensam que o acento que alguns políticos colocam sobre o caráter judaico de Israel é apropriado", disse à RT Amir Oren, colunista com base em Israel.

    Ele disse que a decisão de sair vai prejudicar a cooperação de Israel em educação, ciência e artes e, possivelmente, afetar a ajuda financeira da UNESCO.

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    Tags:
    diplomacia, judeus, política, ONU, UNESCO, Carmel Shama-Hacohen, Nikki Haley, Donald Trump, Benjamin Netanyahu, Emmanuel Nahshon, Jerusalém, Estados Unidos, Israel
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