04:13 17 Setembro 2019
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    Os habitantes mais novos da Síria durante a entrega da ajuda humanitária (imagem referencial)

    Prejuízo de sanções ocidentais contra Síria é maior que o da guerra

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    Este inverno será rigoroso para os 3 milhões de crianças refugiadas sírias. Por isso, várias organizações sociais tencionam ajudá-las a sobreviver. A organização alemã Amizade com Valjevo é uma delas.

    A Sputnik Alemanha entrevistou o líder da organização, Bernd Duschner, que afirmou que os sírios sofrem mais com as sanções ocidentais do que com a guerra civil que o país tem enfrentado desde 2011.

    Inicialmente, a Amizade com Valjevo foi fundada em 1999 por os alemães terem ficado horrorizados com o bombardeio pela OTAN da Iugoslávia e passaram a prestar ajuda ao povo da cidade sérvia de Valjevo, que foi quase destruída pelos bombardeamentos.

    A organização estabeleceu contatos com a Síria há três anos, quando os ativistas realizaram sua primeira campanha de arrecadação de fundos destinados a um menino de Damasco, fazendo com que este pudesse ser operado na Alemanha.

    Além disso, a Amizade com Valjevo arrecadou recursos para comprar equipamento necessário para purificação de água para um hospital sírio. O dinheiro foi entregue via território do Líbano, já que as operações financeiras diretas com a Síria estão banidas devido às sanções.

    Até mesmo medicamentos, materiais de consumo médico, equipamentos e suas peças sobresselentes são praticamente inacessíveis para os hospitais sírios por conta das sanções financeiras e econômicas ocidentais.

    Sanções provocaram a guerra civil

    "A guerra civil começou na Síria em 2011 com a decisão de introduzir sanções. Em nossa opinião, se tratou de medidas preparativas para a guerra, já que as sanções deste tipo paralisam a econômica do país, criam um desemprego maciço e agravam seriamente o suprimento de recursos aos cidadãos. Por sua vez, isso agravou os conflitos étnicos e sociais e empurrou o país para a guerra civil. Então, começamos a pensar o que poderíamos fazer pela população síria", assinalou Duschner à Sputnik Alemanha.

    Entre outras iniciativas da organização, vale destacar que a Amizade com Valjevo organizou cursos de costura para mulheres sírias e até compraram para elas todo o equipamento necessário para desenvolverem sua atividade.

    Mulheres síras agradecendo aos organizadores de cursos de costura
    © Foto / Carol Tahnan
    Mulheres síras agradecendo aos organizadores de cursos de costura

    "Para nós é importante não apenas fornecer ajuda humanitária […], mas também, com nossas campanhas, queremos revelar o impacto catastrófico das sanções."

    No período de 2010 a 2014, a taxa de desemprego na Síria subiu de 15 para 58%. Em comparação com 2014, o PNB do país diminuiu quatro vezes. Hoje em dia, cada 6 de 10 sírios vivem na pobreza, nove milhões de sírios precisam de ajuda humanitária alimentar. As sanções resultaram em fome e epidemias, bem como na falta de alimentos e medicamentos. Mesmo os sírios vivendo no exterior não têm direito a enviar dinheiro a seus familiares que estão morando na Síria.

    "Segundo estimativas, durante os seis anos da guerra na Síria morreram mais pessoas devido à deficiência de tratamento médico do que por causa da guerra", frisou Duschner.

    Como as fronteiras abertas pioraram a situação? 

    Bernd Duschner aponta que, ao abrir as fronteiras em 2015, a Alemanha contribuiu para a crise síria.

    "A maior parte das pessoas aqui acredita que o governo tenha aberto as fronteiras para ajudar os sírios. Mas não é verdade. Desde 2014, as autoridades da Alemanha ordenaram a seus serviços migratórios terem como prioridade os sírios e proporcionar-lhes asilo […] Naquela época, o governo da Síria estava lutando para sobreviver, Palmira e Idlib tinham sido conquistadas", contou ele.

    "As forças dos islamistas estavam se aproximando da capital. A classe média que tinha possibilidades financeiras abandonou a Síria. Neste sentido, as autoridades da Alemanha contribuíram para o refluxo de mão-de-obra.", explicou seu ponto de vista Duschner.

    "Caso o governo da Alemanha quisesse realmente ajudar o povo, então as autoridades deveriam ter levantado as sanções. Contudo, o verdadeiro objetivo era enfraquecer o país e, na fase crítica, privá-lo da mão-de-obra e especialistas […] Desde que a Rússia interferiu, a Síria conseguiu recuperar a situação, e o governo alemão começou gradualmente restringindo essa liberdade de circulação."

    No momento, a organização está arrecadando recursos para continuar seus projetos. Dos seis milhões de refugiados internos sírios, a maioria dos quais vive em abrigos temporários, 2,8 milhões são crianças. Na sequência das destruições causadas pela guerra, o abastecimento de energia elétrica e gás é limitado, a situação, principalmente no inverno, está se agravando e se tornando crítica.

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    Tags:
    ajuda humanitária, Síria, Alemanha
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