19:58 20 Setembro 2018
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    Militares americanos e rebeldes do Maghaweer al-Thawra, apoiado pelos EUA, em Al Tanf, no sul da Síria

    Opinião: guerra na Síria vai continuar enquanto ocupação dos EUA se mantiver

    © AP Photo / Hammurabi's Justice News
    Oriente Médio e África
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    Há um ano e meio, o presidente russo também anunciou o fim de uma fase importante da campanha síria e ordenou retirar grande parte do contingente militar deslocado aí, mas as operações militares continuaram, as tropas até aumentaram e os ataques aéreos não diminuíram, afirma o Pentágono.

    Os países ocidentais se mostram preocupados com a presença militar da Rússia na Síria e não acreditam no resultado obtido por Moscou, afirmando que a continuação das tropas mostra que os objetivos ainda não foram cumpridos (à exceção de um – a salvação do "tirano sangrento" Assad pelo "ditador corrupto" Putin) e não obstante os enormes gastos militares, opina Anatoly Vasserman no seu artigo para a Sputnik

    Mas a Rússia ganhou muito com as suas operações na Síria – ao mostrar as suas capacidades militares, as encomendas do seu material bélico aumentaram. O país beneficiou de maiores ingressos devido ao crescimento dos preços no mercado de matérias-primas. Mas o dinheiro não é o objetivo principal. 

    Agora, a maioria dos países do Oriente Médio quer ter boas relações com a Rússia, comprando armas e oferecendo projetos vantajosos. 

    Engenheiros militares russos ajudam a neutralizar minas em áreas orientais da cidade síria de Aleppo (foto de arquivo)
    © Sputnik / Ministério da Defesa da Rússia
    A União Europeia se mostra cada vez mais descontente com as sanções impostas à Rússia pelos EUA porque a própria economia europeia é afetada. Para além disso, na Europa surgiu toda uma geração de políticos que apelam de forma radical a substituir a solidariedade atlântica pela euroasiática. 

    A Índia e o Paquistão, que têm relações complicadas, passaram a integrar a Organização de Cooperação de Xangai, encabeçada pela Rússia. 

    A razão principal de todas estas mudanças é simples: nas últimas décadas, as intervenções dos EUA nos países sem organização interna, o apoio aos terroristas, a propagação da jurisdição norte-americana por todo o mundo mostram que os EUA não só querem controlar todo o planeta, mas querem obter lucros com os seus investimentos, acrescenta Vasserman. 

    A Rússia mostrou que existe um sujeito político que não só pode fazer frente aos EUA mas também garantir a segurança de outros países. Vale a pena recordar que o presidente da Rússia, no início da guerra na Síria, exortou os norte-americanos a efetuar um combate conjunto contra os terroristas, algo que os EUA recusaram. Em resultado, a Rússia conseguiu fazer tudo praticamente sozinha. 

    Os EUA, por sua vez, afirmam que o papel principal na luta com terroristas no Síria e Iraque foi desempenhado pela coalizão encabeçada por eles e, ao mesmo tempo, advertem que a guerra não acabou e que, por isso, as tropas norte-americanas permanecerão na Síria. 

    Mas, de acordo com o autor, agora os EUA apenas estão mudando os nomes. Assim, os terroristas do Daesh passaram a ser "oposição moderada". Ele acredita que a luta contra os terroristas continuará enquanto a ocupação dos EUA se mantiver.

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    Tags:
    gastos militares, material bélico, presença militar, vitória, terroristas, coalizão, tropas, Síria, EUA, Rússia
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